sábado, 25 de outubro de 2008

~[ Mãos... ]~


(contado em 10/10/08)

Meia-noite. Acordada ainda pensando no dia que não foi e nas horas que já morreram. Sente falta. Sente-se suja. Adormece pensando na filosofia de envelhecer. Sente-se velha. Aos dezoito anos?
Ele não ligou. Ninguém liga. Poucos ouvem e ninguém vê. Dorme.
Acorda sem poder pensar em tempo livre. Olha de lado o jornal. Só morte, corrupção, descaso... Como queria aprender a agir como adulta. Lutar pelos sonhos, brigar como fera. Aos dezoito anos... Segura o choro.
A saudade da infância trinca a garganta. A vontade de força treme as pernas. A lembrança das pernas pequeninas enroladas no balanço... Tudo pensa, tudo quer. Não é nem pirralha, nem mulher. Até é bom: Cansou de não poder fazer nada a não ser sonhar (e sonha!), quer a liberdade sem envelhecer.
Sai de casa, sente o vento, vê uma borboleta. "Ainda existem borboletas?" pensa. Vê dois cachorros de raças e cores diferentes enamorados através de um portão, "existe amor?". Vê uma águia pairando, "É liberdade?", "ter o céu?". Vê uma semente brotando, "Ainda se vive?".
Precisa ir pro inglês, cursinho, jazz, aula de exatas, ballet, dentista. Precisa entregar trabalho... e nada quer fazer. Quer descobrir e sonhar aos dezoito anos.
Acabou de fazer dezoito. Só quer ler e pensar. Isso significaria o quê?
Não quer ficar como todos, e já é? Agora é?
Ouve bolero, rock'n'roll, samba, popoular, lambada e maracatu...
Sonha com o amor eterno, o imortal infindo...
A trilha sonora, amor de bolero, aos dezoito anos...
Quer vento verde.
Passa o dia. Em branco. Quer amor.
E ele não ligou...
Passa o dia no parque.
Volta pra casa. Nove da noite, já. Já.
Dezoito anos e um dia. E um dia? Um dia já?
Duvida do tempo.
Passa no supermercado vinte e quatro horas... (e dezoito anos!). Sorri. Quer um pãozinho quente.
Sente a mão dele na dela... Respira. Suspira.
Cruza os dedos.
Sente o bafo quente de pãozinho recém saído do forno (e dezoito anos!). Sente o bafo dele na orelha.
Morde o pão, queimando, sorri.
Dezoito anos, e o amor existia...
"Não solta minha mão..."
E caminhando seguiu...
Era agora dezoito anos.

Um comentário:

Agepe disse...

ice post. Greetings