"Quando eu falo mais sério sobre as coisas, né?" - Em certa conversa.
Um dia me ensinaram que cada pessoa é um rio...
Quando se encontram e se fazem felizes, devem andar juntos... lado a lado... sem se misturarem para serem um só.
Cada rio ao seu ritmo, juntos. Nunca contra a correnteza... nem um tentando ser a água do outro.
Para mim, é isso. Cada pessoa é completa desde que nasce. É assim... um universo.
E se surge um amor por outro universo... essa é a troca essencial.
É o que dói, é o que alegra, é o difícil... e o mais lindo.
(Para o Túlio do Terts)
domingo, 14 de novembro de 2010
sexta-feira, 12 de novembro de 2010
quinta-feira, 5 de agosto de 2010
Cinco para as duas da manhã.
Meia rasga o chão como passo de espada. Escorrega.
Tambor mostra o coração.
Ombro se mexe, músculo sente como se estivesse renascendo.
Eis o nascimento.
No chão, tinta, pincel, cores.
Meia passa meio fio perto da meia arte.
Eis que palavras trocadas durante a madrugada
Fazem com que o corpo sinta
A alma troque
A lua brilhe
A rua se ilumine
E tudo faça mais sentido
Estamos aqui por isso.
E não por aquilo.
Mesmo.
(Para Lesley)
Tambor mostra o coração.
Ombro se mexe, músculo sente como se estivesse renascendo.
Eis o nascimento.
No chão, tinta, pincel, cores.
Meia passa meio fio perto da meia arte.
Eis que palavras trocadas durante a madrugada
Fazem com que o corpo sinta
A alma troque
A lua brilhe
A rua se ilumine
E tudo faça mais sentido
Estamos aqui por isso.
E não por aquilo.
Mesmo.
(Para Lesley)
quinta-feira, 22 de julho de 2010
domingo, 18 de julho de 2010
Difícil acreditar que em algum momento do tempo podemos ter incerta certeza sobre uma saudade que, em momentos, se torna insuportável.
É a voz do precisar.
Um passo para lá, um passo para cá, mão segurando cintura.
Mão envolvendo pescoço, alma, tudo.
Estômago sente, garganta com leve nó, lágrima teimando em sair.
Tamanha felicidade perdida no tempo.
Infinita na memória.
Palavras não são suficientes. Não adianta, o momento não volta.
Um dos melhores momentos do universo... pulsa na memória como o pulsar do Sol a cada onze anos.
E se pudéssemos jogar um pouquinho de memória fora, o coração ficaria mais em paz.
Porque até mesmo o gelo queima no fogo.
E o mormaço queima tanto quando brasa viva.
É o vagar que me faz sentir perenemente.
Muita saudade.
É a voz do precisar.
Um passo para lá, um passo para cá, mão segurando cintura.
Mão envolvendo pescoço, alma, tudo.
Estômago sente, garganta com leve nó, lágrima teimando em sair.
Tamanha felicidade perdida no tempo.
Infinita na memória.
Palavras não são suficientes. Não adianta, o momento não volta.
Um dos melhores momentos do universo... pulsa na memória como o pulsar do Sol a cada onze anos.
E se pudéssemos jogar um pouquinho de memória fora, o coração ficaria mais em paz.
Porque até mesmo o gelo queima no fogo.
E o mormaço queima tanto quando brasa viva.
É o vagar que me faz sentir perenemente.
Muita saudade.
terça-feira, 13 de julho de 2010
sexta-feira, 9 de julho de 2010
"Eu quero é tocar fogo nesse apartamento, você não acredita..."
"Quando eu chego em casa nada me consola..."
E foi, ao som do som, que descobri, pelo fogo da espinha, o que já sabia.
E a vida é assim mesmo, quando quer brincar, faz de nossas ideias certezas, quando doeria menos ficar com a dúvida.
Essa coisa toda de "roda mundo, roda gigante, roda moinho, roda peão", é incrível porque roda mesmo. E nessa rotação toda interminável, sobrevive quem tem saia rodada ou quem sabe rodar junto. Porque quem fica, sofre.
Mais difícil ainda é quando se tenta explicar tudo, depois de enterrado, quando meia palavra não basta. E não existe bom entendor. E se descobre que não houve bom entender desde o início.
E a vida segue mesmo, não espera ninguém. Hoje, vejo que a decisão... foi certeira.
"Você não está entendendo quase nada do que eu digo..."
E a música continua, porque o tempo não pára, a roda não pára, nada pára. Nada espera.
Vivemos na era da pressa, da necessidade das explicações imediatas. Tudo tem de ser decidido agora, nada germina. Não nasce aos pouquinhos, folhinha por folhinha, galho por galho, fruto por fruto. É na pressa, tem de ser agora.
E é isso que eu não quero.
Não quero ter de me decidir na pressa, gosto de sentir o desenvolvimento da sensação aos pouquinhos, da folha se enraizando dentro do peito... lentamente... devagar. Acordar com calma, sentir tudo, com deleite, com sabor, com paladar, tato, pele, língua, poros. Tudo aos pouquinhos.
Dançar no ritmo do meu pulsar.
Piso em falso, piso errado. Caio, levanto, traço poema, faço um novo passo.
É o que aprendi sobre sempre e pra sempre: "fazer da queda um passo de dança".
Cair mesmo, cair muito. Porque quem tiver de estar ao seu lado, estará, em uma hora ou em outra.
Porque as pessoas se enganam, te enganam, ignoram, machucam, caem também. Porque o ser humano é todo imperfeição.
Como bicho desses, sei que os cachos dançam ao vento, mas uma hora o sol nasce e traz brilho. Que os dedos que passeiam por mim podem não ser os que eu mais queria que ali estivessem. E que podem, por vezes, ser os que eu quero mas vou jogar aos quatro ventos por falta de consciência.
Porque é assim mesmo. Porque eu decidi sentir.
E me encontro sem saber o que sentir, errando ao pensar. Me dando a opção de sentir, não sofrer.
Os dedos cruzam e viram uma mão só. E daí?
As folhas caem, o tempo passa, ele não espera. Ninguém espera.
Não há porto, não há bússola, não tenho direções.
Não há possibilidades, chances.
Só eu estou errada, me disse.
E a chance não dada, a ideia não construída, a palavra não proferida?
Nasci sem regras, não quero leis, não quero páginas de livro pré-escritas, estórias semi-inventadas. Quero desenhar, carvão, fibra de coluna.
Acordar, sorrir para o Sol, ver flores. Correr contra o vento, nadar contra a corrente. Nada certo, o erro é o que atrai.
Eis o erro, o acerto e o coração. Água gelada em dia quente, sal, Sol. Rede contra a parede. Madrugadas mais acordadas que o dia. Folhas secas, verão. Saudade.
Porque perdoamos mil erros, e quando precisamos, fecham as portas, as janelas, e ficamos assim, presas. Luz por fresta e ar parado. Sem luz do dia e brisa de fim de tarde.
Gosto é do movimento. Movimento é equilíbrio. Nada de inércia, quero a inovação. Sem gosto de água do mar, pele com areia, chuva de verão.
Quero a intensidade, o profundo. Quero o corte, a cicatriz, a dor doída e superada. O alfinete me dizendo que não.
Porque entendem errado, e falo com o erro. Por ele.
Sonhos, músicas.
Cansei de coração de pedra. Quero o sangue na carne, quero que possa sangrar. Vida!
O tempo está certo, as palavras duras também: já se foi o verão, minha menina, o inverno chegou.
E, com toda a sua frieza e secura, esqueceu o cobertor.
Sábias palavras: evitamos uma catástrofe.
Só tenho de dizer que então está bem.
Com palavras não compreendidas, e sinais não percebidos, seguimos assim.
Não tem descanso.
Tomar tudo em um gole só.
Temos de correr, o trem parte de hora em hora.
Não há correção.
Não nos esqueçamos mais. Memória é vida.
Não nos atrasemos mais. Não pedirei mais a mão...
Deixo o lenço ao vento.
Meia saudade, meio grito, meia surpresa.
Meio aperto, meia solução, meio abraço.
Deixo no ar.
Que a saudade não me encontre. Que o vento me leve.
Para onde haja conserto, calma, paz.
Brisa leve, Sol quente, bancos floridos.
Pé descalço, pé na areia, pé na grama.
Pise direito, dessa vez, por favor.
"Eu quero é ir embora, eu quero é dar o fora..."
(E queria mesmo que tivesse vindo comigo...)
É, Lua... chega de personagens.
E foi, ao som do som, que descobri, pelo fogo da espinha, o que já sabia.
E a vida é assim mesmo, quando quer brincar, faz de nossas ideias certezas, quando doeria menos ficar com a dúvida.
Essa coisa toda de "roda mundo, roda gigante, roda moinho, roda peão", é incrível porque roda mesmo. E nessa rotação toda interminável, sobrevive quem tem saia rodada ou quem sabe rodar junto. Porque quem fica, sofre.
Mais difícil ainda é quando se tenta explicar tudo, depois de enterrado, quando meia palavra não basta. E não existe bom entendor. E se descobre que não houve bom entender desde o início.
E a vida segue mesmo, não espera ninguém. Hoje, vejo que a decisão... foi certeira.
"Você não está entendendo quase nada do que eu digo..."
E a música continua, porque o tempo não pára, a roda não pára, nada pára. Nada espera.
Vivemos na era da pressa, da necessidade das explicações imediatas. Tudo tem de ser decidido agora, nada germina. Não nasce aos pouquinhos, folhinha por folhinha, galho por galho, fruto por fruto. É na pressa, tem de ser agora.
E é isso que eu não quero.
Não quero ter de me decidir na pressa, gosto de sentir o desenvolvimento da sensação aos pouquinhos, da folha se enraizando dentro do peito... lentamente... devagar. Acordar com calma, sentir tudo, com deleite, com sabor, com paladar, tato, pele, língua, poros. Tudo aos pouquinhos.
Dançar no ritmo do meu pulsar.
Piso em falso, piso errado. Caio, levanto, traço poema, faço um novo passo.
É o que aprendi sobre sempre e pra sempre: "fazer da queda um passo de dança".
Cair mesmo, cair muito. Porque quem tiver de estar ao seu lado, estará, em uma hora ou em outra.
Porque as pessoas se enganam, te enganam, ignoram, machucam, caem também. Porque o ser humano é todo imperfeição.
Como bicho desses, sei que os cachos dançam ao vento, mas uma hora o sol nasce e traz brilho. Que os dedos que passeiam por mim podem não ser os que eu mais queria que ali estivessem. E que podem, por vezes, ser os que eu quero mas vou jogar aos quatro ventos por falta de consciência.
Porque é assim mesmo. Porque eu decidi sentir.
E me encontro sem saber o que sentir, errando ao pensar. Me dando a opção de sentir, não sofrer.
Os dedos cruzam e viram uma mão só. E daí?
As folhas caem, o tempo passa, ele não espera. Ninguém espera.
Não há porto, não há bússola, não tenho direções.
Não há possibilidades, chances.
Só eu estou errada, me disse.
E a chance não dada, a ideia não construída, a palavra não proferida?
Nasci sem regras, não quero leis, não quero páginas de livro pré-escritas, estórias semi-inventadas. Quero desenhar, carvão, fibra de coluna.
Acordar, sorrir para o Sol, ver flores. Correr contra o vento, nadar contra a corrente. Nada certo, o erro é o que atrai.
Eis o erro, o acerto e o coração. Água gelada em dia quente, sal, Sol. Rede contra a parede. Madrugadas mais acordadas que o dia. Folhas secas, verão. Saudade.
Porque perdoamos mil erros, e quando precisamos, fecham as portas, as janelas, e ficamos assim, presas. Luz por fresta e ar parado. Sem luz do dia e brisa de fim de tarde.
Gosto é do movimento. Movimento é equilíbrio. Nada de inércia, quero a inovação. Sem gosto de água do mar, pele com areia, chuva de verão.
Quero a intensidade, o profundo. Quero o corte, a cicatriz, a dor doída e superada. O alfinete me dizendo que não.
Porque entendem errado, e falo com o erro. Por ele.
Sonhos, músicas.
Cansei de coração de pedra. Quero o sangue na carne, quero que possa sangrar. Vida!
O tempo está certo, as palavras duras também: já se foi o verão, minha menina, o inverno chegou.
E, com toda a sua frieza e secura, esqueceu o cobertor.
Sábias palavras: evitamos uma catástrofe.
Só tenho de dizer que então está bem.
Com palavras não compreendidas, e sinais não percebidos, seguimos assim.
Não tem descanso.
Tomar tudo em um gole só.
Temos de correr, o trem parte de hora em hora.
Não há correção.
Não nos esqueçamos mais. Memória é vida.
Não nos atrasemos mais. Não pedirei mais a mão...
Deixo o lenço ao vento.
Meia saudade, meio grito, meia surpresa.
Meio aperto, meia solução, meio abraço.
Deixo no ar.
Que a saudade não me encontre. Que o vento me leve.
Para onde haja conserto, calma, paz.
Brisa leve, Sol quente, bancos floridos.
Pé descalço, pé na areia, pé na grama.
Pise direito, dessa vez, por favor.
"Eu quero é ir embora, eu quero é dar o fora..."
(E queria mesmo que tivesse vindo comigo...)
É, Lua... chega de personagens.
quarta-feira, 2 de junho de 2010
Sertão, coração. Coração, sertão.
Depois de tempos, a mão seca de falta de expressão, seca por querer tanto dizer.
É o que dizem mesmo, crescer dói.
Gostar, dói.
As coisas inevitáveis, incontroláveis que colorem a vida, doem.
Talvez eu esteja meio sem jeito para conseguir transferir o que ando pensando e sentindo, e o que ando pensando que não sinto e sentindo o que não consigo pensar, para palavras que são muitas vezes falhas ao tentarem dizer por mim.
É nesse momento que queremos o toque, os olhos. Cabelos enrolados, por entre os dedos.
É o que dizem mesmo, crescer dói.
Gostar, dói.
As coisas inevitáveis, incontroláveis que colorem a vida, doem.
Talvez eu esteja meio sem jeito para conseguir transferir o que ando pensando e sentindo, e o que ando pensando que não sinto e sentindo o que não consigo pensar, para palavras que são muitas vezes falhas ao tentarem dizer por mim.
É nesse momento que queremos o toque, os olhos. Cabelos enrolados, por entre os dedos.
sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010
A vida é como um fruto, pensei certa manhã.
Guarda em seu seio uma renovação... semente de novo ser, embrião.
Se alimenta da seiva, do Sol, da Terra.
Com o tempo, cresce e amadurece.
E, quando já amadurecida, ou encontra alguém para apanhá-la com suas mãos e saboreá-la em um par uníssono, ou cai na Terra... e se desfaz em suas entranhas, voltando ao seu início, à sua fonte.
Guarda em seu seio uma renovação... semente de novo ser, embrião.
Se alimenta da seiva, do Sol, da Terra.
Com o tempo, cresce e amadurece.
E, quando já amadurecida, ou encontra alguém para apanhá-la com suas mãos e saboreá-la em um par uníssono, ou cai na Terra... e se desfaz em suas entranhas, voltando ao seu início, à sua fonte.
sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010
Era uma vez...
Uma menina que vivia em uma cabana.
Era nova, mas por dentro, conseguia sentir a vida toda que fora e que não fora.
Gostava de tira em sandálias e saias de chita. Coisas rodadas que costumavam brincar com o vento.
De balanço, de ervas e de chuva.
Gostava de tinta e pintava durante a noite. À noite, o silêncio era seu baú. Tinha com ela o hábito de se descrever, cercada de escuro e estrelas, em cores e traços.
Certo dia, o pincel escapou, e, com algumas cores, riscou seu rosto.
Era tinta que não conhecia, e não saiu com nada.
Tentou de tudo... foi ao médico... e nada. Não saiu.
A tinta aderiu aos seus poros como calor úmido e ficou ali, aninhada, presa como se pertencesse mais ao sangue que ao quadro.
Passando o tempo... as pessoas não a viam como uma menina normal.
Era o rabisco, a pintada, a estranha.
Três riscos no rosto e não pertencia ao mundo mais.
Ela, a alma, presa ao corpo, via a reação das pessoas como se visse em tela de televisão.
Via tudo e todo como o susto.
A tinta, por si só, não saía.
Mas, por dentro, ela sonhava.
Sonhava em encontrar alguém que a aceitasse como era.
Que a visse como obra de arte e não rascunho. Que pudesse ver dentro dela... o seu íntimo, a sua alma.
A alma, que por quem queria que visse, seria vista pelos olhos, não pela pele.
Os olhos, a janela, não escondiam nada.
Um dia... encontrou um menino na rua com três cortes no rosto.
Sentou-se ao lado dele... e, quando ele a fitou, não fez a cara a qual ela estava acostumada a se deparar. Não se espantou. Apenas a fitou. Nos olhos.
E ela, respondeu.
Comentou: Você não se espantou.
Ele: _Nem você comigo. É porque, os seus olhos me trouxeram algo além. Os seus olhos, sim, disseram algo para mim. Sua pele, mesmo pintada, para mim é arte. E isso, mostra algo que vem da sua alma, algo que faz parte de você. Portanto, é mais colorida que a própria paisagem, por dentro e agora por fora.
E ela, aos suspiros, respondeu: _Suas cicatrizes mostram algo que está em sua memória, que você viveu e superou. É força.
E ela, sutilmente, tocou na mão do menino... e sentiu não só arrepio, como a força que nele era tão visível.
E ele... respondendo ao gesto... entrelaçou seus dedos nos dela... e sentiu nela tudo o que faltava a ele até então: A vida colorida, como sempre deveria ser.
E ela, sentindo sua alma pulsando em cor... viu que a vida poderia exalar mais cores que sua pele... e que, podendo ser mais colorida que todos, vivia a vida com tanta intensidade, que nem o pincel poderia descrever,
E foi assim, que o encontro entre os traços coloridos e as cicatrizes, unindo a força da memória à toda a vida que a alma pode ter... que os dois descobriram o que já era possível de se sentir: que a vida não está no que se vê de longe... mas no que se vê de perto, pela janela que dá para a alma.
(Obrigada, pelo momento no qual você foi TODO especial.)
Uma menina que vivia em uma cabana.
Era nova, mas por dentro, conseguia sentir a vida toda que fora e que não fora.
Gostava de tira em sandálias e saias de chita. Coisas rodadas que costumavam brincar com o vento.
De balanço, de ervas e de chuva.
Gostava de tinta e pintava durante a noite. À noite, o silêncio era seu baú. Tinha com ela o hábito de se descrever, cercada de escuro e estrelas, em cores e traços.
Certo dia, o pincel escapou, e, com algumas cores, riscou seu rosto.
Era tinta que não conhecia, e não saiu com nada.
Tentou de tudo... foi ao médico... e nada. Não saiu.
A tinta aderiu aos seus poros como calor úmido e ficou ali, aninhada, presa como se pertencesse mais ao sangue que ao quadro.
Passando o tempo... as pessoas não a viam como uma menina normal.
Era o rabisco, a pintada, a estranha.
Três riscos no rosto e não pertencia ao mundo mais.
Ela, a alma, presa ao corpo, via a reação das pessoas como se visse em tela de televisão.
Via tudo e todo como o susto.
A tinta, por si só, não saía.
Mas, por dentro, ela sonhava.
Sonhava em encontrar alguém que a aceitasse como era.
Que a visse como obra de arte e não rascunho. Que pudesse ver dentro dela... o seu íntimo, a sua alma.
A alma, que por quem queria que visse, seria vista pelos olhos, não pela pele.
Os olhos, a janela, não escondiam nada.
Um dia... encontrou um menino na rua com três cortes no rosto.
Sentou-se ao lado dele... e, quando ele a fitou, não fez a cara a qual ela estava acostumada a se deparar. Não se espantou. Apenas a fitou. Nos olhos.
E ela, respondeu.
Comentou: Você não se espantou.
Ele: _Nem você comigo. É porque, os seus olhos me trouxeram algo além. Os seus olhos, sim, disseram algo para mim. Sua pele, mesmo pintada, para mim é arte. E isso, mostra algo que vem da sua alma, algo que faz parte de você. Portanto, é mais colorida que a própria paisagem, por dentro e agora por fora.
E ela, aos suspiros, respondeu: _Suas cicatrizes mostram algo que está em sua memória, que você viveu e superou. É força.
E ela, sutilmente, tocou na mão do menino... e sentiu não só arrepio, como a força que nele era tão visível.
E ele... respondendo ao gesto... entrelaçou seus dedos nos dela... e sentiu nela tudo o que faltava a ele até então: A vida colorida, como sempre deveria ser.
E ela, sentindo sua alma pulsando em cor... viu que a vida poderia exalar mais cores que sua pele... e que, podendo ser mais colorida que todos, vivia a vida com tanta intensidade, que nem o pincel poderia descrever,
E foi assim, que o encontro entre os traços coloridos e as cicatrizes, unindo a força da memória à toda a vida que a alma pode ter... que os dois descobriram o que já era possível de se sentir: que a vida não está no que se vê de longe... mas no que se vê de perto, pela janela que dá para a alma.
(Obrigada, pelo momento no qual você foi TODO especial.)
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