sexta-feira, 9 de julho de 2010

"Eu quero é tocar fogo nesse apartamento, você não acredita..."

"Quando eu chego em casa nada me consola..."

E foi, ao som do som, que descobri, pelo fogo da espinha, o que já sabia.
E a vida é assim mesmo, quando quer brincar, faz de nossas ideias certezas, quando doeria menos ficar com a dúvida.
Essa coisa toda de "roda mundo, roda gigante, roda moinho, roda peão", é incrível porque roda mesmo. E nessa rotação toda interminável, sobrevive quem tem saia rodada ou quem sabe rodar junto. Porque quem fica, sofre.
Mais difícil ainda é quando se tenta explicar tudo, depois de enterrado, quando meia palavra não basta. E não existe bom entendor. E se descobre que não houve bom entender desde o início.
E a vida segue mesmo, não espera ninguém. Hoje, vejo que a decisão... foi certeira.

"Você não está entendendo quase nada do que eu digo..."

E a música continua, porque o tempo não pára, a roda não pára, nada pára. Nada espera.
Vivemos na era da pressa, da necessidade das explicações imediatas. Tudo tem de ser decidido agora, nada germina. Não nasce aos pouquinhos, folhinha por folhinha, galho por galho, fruto por fruto. É na pressa, tem de ser agora.
E é isso que eu não quero.
Não quero ter de me decidir na pressa, gosto de sentir o desenvolvimento da sensação aos pouquinhos, da folha se enraizando dentro do peito... lentamente... devagar. Acordar com calma, sentir tudo, com deleite, com sabor, com paladar, tato, pele, língua, poros. Tudo aos pouquinhos.
Dançar no ritmo do meu pulsar.
Piso em falso, piso errado. Caio, levanto, traço poema, faço um novo passo.
É o que aprendi sobre sempre e pra sempre: "fazer da queda um passo de dança".
Cair mesmo, cair muito. Porque quem tiver de estar ao seu lado, estará, em uma hora ou em outra.
Porque as pessoas se enganam, te enganam, ignoram, machucam, caem também. Porque o ser humano é todo imperfeição.
Como bicho desses, sei que os cachos dançam ao vento, mas uma hora o sol nasce e traz brilho. Que os dedos que passeiam por mim podem não ser os que eu mais queria que ali estivessem. E que podem, por vezes, ser os que eu quero mas vou jogar aos quatro ventos por falta de consciência.
Porque é assim mesmo. Porque eu decidi sentir.
E me encontro sem saber o que sentir, errando ao pensar. Me dando a opção de sentir, não sofrer.
Os dedos cruzam e viram uma mão só. E daí?
As folhas caem, o tempo passa, ele não espera. Ninguém espera.
Não há porto, não há bússola, não tenho direções.
Não há possibilidades, chances.
Só eu estou errada, me disse.
E a chance não dada, a ideia não construída, a palavra não proferida?

Nasci sem regras, não quero leis, não quero páginas de livro pré-escritas, estórias semi-inventadas. Quero desenhar, carvão, fibra de coluna.
Acordar, sorrir para o Sol, ver flores. Correr contra o vento, nadar contra a corrente. Nada certo, o erro é o que atrai.
Eis o erro, o acerto e o coração. Água gelada em dia quente, sal, Sol. Rede contra a parede. Madrugadas mais acordadas que o dia. Folhas secas, verão. Saudade.
Porque perdoamos mil erros, e quando precisamos, fecham as portas, as janelas, e ficamos assim, presas. Luz por fresta e ar parado. Sem luz do dia e brisa de fim de tarde.
Gosto é do movimento. Movimento é equilíbrio. Nada de inércia, quero a inovação. Sem gosto de água do mar, pele com areia, chuva de verão.
Quero a intensidade, o profundo. Quero o corte, a cicatriz, a dor doída e superada. O alfinete me dizendo que não.
Porque entendem errado, e falo com o erro. Por ele.
Sonhos, músicas.
Cansei de coração de pedra. Quero o sangue na carne, quero que possa sangrar. Vida!
O tempo está certo, as palavras duras também: já se foi o verão, minha menina, o inverno chegou.
E, com toda a sua frieza e secura, esqueceu o cobertor.
Sábias palavras: evitamos uma catástrofe.

Só tenho de dizer que então está bem.
Com palavras não compreendidas, e sinais não percebidos, seguimos assim.
Não tem descanso.
Tomar tudo em um gole só.
Temos de correr, o trem parte de hora em hora.

Não há correção.
Não nos esqueçamos mais. Memória é vida.
Não nos atrasemos mais. Não pedirei mais a mão...
Deixo o lenço ao vento.
Meia saudade, meio grito, meia surpresa.
Meio aperto, meia solução, meio abraço.
Deixo no ar.
Que a saudade não me encontre. Que o vento me leve.
Para onde haja conserto, calma, paz.
Brisa leve, Sol quente, bancos floridos.
Pé descalço, pé na areia, pé na grama.
Pise direito, dessa vez, por favor.

"Eu quero é ir embora, eu quero é dar o fora..."
(E queria mesmo que tivesse vindo comigo...)

É, Lua... chega de personagens.

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