O amor tão louco, pouco.
Em certo, pode improdutivar.
Invento?
Quem sabe.
O sangue só tem de ferver.
quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

Que beleza os cabelos brancos!
Ásperos, reluzentes.
Todos arco-íris.
A íris do espelho da vida vivida.
Como disse uma vez Erasmo:
O encontro da infância na velhice.
Que beleza a sede da pele!
A beleza da imemória,
A admiração do simples, da vida.
Juventude!
E falas fraquinhas.
Que beleza os cabelos brancos!
A língua turva,
Os olhos curvos, e vividos.
A mente sã, infantil e velha.
O velho novo.
O novo no velho.
Todos os fios brancos
A pele fraca
O olhar liso e terno
Toda a sabedoria
Os joelhos fracos
A vida e a sabedoria em seus fios brancos.
Que beleza!
~[ Ode ao meu pai ]~

Na cama, a pruma, o braço, o abraço.
A taça, o sangue, a fala, o som.
Apenas uma coisa permanece igual no mundo, disse-me ele uma noite.
Desde que comecei a compreender o mundo
Tudo sempre muda.
A única coisa que sempre continuou foi o céu.
O céu não muda.
Não muda.
Para todos gregos, troianos e índios,
O céu é o mesmo.
Sempre o mesmo.
_Mesmo poluído? - outra voz.
_O céu é o mesmo. - insiste.
Tem coisas que ainda fazem sentido.
~[ Marte. ]~
Como pode, de repente
Em tão calma e serena,
O ódio vir às mãos como enxurrada de sangue,
Como espuma de aço,
Como grãos de loucura e desgosto.
Tão raro o gosto, áspero e ríspido
Da fúria, do incontrole.
Fato ser impróprio o despoder da própria calma.
Diante de um golpe de eletricidade
Um choque à espinha
Tão raro que tal momento
Por ser raro e por si só,
Arde a língua,
Salta o cílio,
Queima a alma.
E que um minuto dura ano pelo fogo e nada mais.
*
Os ovos das libélulas
Lascam a prata
Arranham a tinta
Como em seus sonhos
De serem na água.
O filhos mal-queridos
Lascam o ventre
Arranham a pele
Como em seus sonhos
De serem na juventude
Mais de um berço antecipado.
Bichos!
Em tão calma e serena,
O ódio vir às mãos como enxurrada de sangue,
Como espuma de aço,
Como grãos de loucura e desgosto.
Tão raro o gosto, áspero e ríspido
Da fúria, do incontrole.
Fato ser impróprio o despoder da própria calma.
Diante de um golpe de eletricidade
Um choque à espinha
Tão raro que tal momento
Por ser raro e por si só,
Arde a língua,
Salta o cílio,
Queima a alma.
E que um minuto dura ano pelo fogo e nada mais.
*
Os ovos das libélulas
Lascam a prata
Arranham a tinta
Como em seus sonhos
De serem na água.
O filhos mal-queridos
Lascam o ventre
Arranham a pele
Como em seus sonhos
De serem na juventude
Mais de um berço antecipado.
Bichos!
~[ Dois ]~
Nem sempre o longe é paz,
O sonho vira,
O peito faz.
Nem sempre se conhece o perto,
Se desmazela o feto,
Nasce homem o neto.
Nem sempre o joelho dança,
O quadril balança,
Sobrevive a lembrança.
Nem sempre.
*
Ela queria entender que lembranças lhe traziam ele. Quais desejos.
Queria pôr a prova tudo o que aprendera. Queria sentir que vivia.
Bem lembrava...
Importante é sempre a companhia. Não?
Muitas vezes o caminho começa pela pele.
Diante de um olhar, um cenário vira história.
Um cabelo. Um cavanhaque. Um latino.
Um desejo de talvez tocar algo que nunca mais tarde será revelado.
Nunca nada revelado. Tudo posto. Pronto.
O olhar de lado, moreno.
O pensamento arrelio que mais gosta é de fugir.
Sozinho, que quer dizer?
Sozinho todo pouco, quer dizer o quê?
A curiosidade de mão com o medo.
Concomitante.
O berço.
A porta.
Que quer?
O metal que arde, não?
Que medo daquele olhar.
Deve ser o gosto pelo medo da consequência.
De tal olhar, vai saber.
O sonho vira,
O peito faz.
Nem sempre se conhece o perto,
Se desmazela o feto,
Nasce homem o neto.
Nem sempre o joelho dança,
O quadril balança,
Sobrevive a lembrança.
Nem sempre.
*
Ela queria entender que lembranças lhe traziam ele. Quais desejos.
Queria pôr a prova tudo o que aprendera. Queria sentir que vivia.
Bem lembrava...
Importante é sempre a companhia. Não?
Muitas vezes o caminho começa pela pele.
Diante de um olhar, um cenário vira história.
Um cabelo. Um cavanhaque. Um latino.
Um desejo de talvez tocar algo que nunca mais tarde será revelado.
Nunca nada revelado. Tudo posto. Pronto.
O olhar de lado, moreno.
O pensamento arrelio que mais gosta é de fugir.
Sozinho, que quer dizer?
Sozinho todo pouco, quer dizer o quê?
A curiosidade de mão com o medo.
Concomitante.
O berço.
A porta.
Que quer?
O metal que arde, não?
Que medo daquele olhar.
Deve ser o gosto pelo medo da consequência.
De tal olhar, vai saber.
~[ Língua ]~
Bocas vermelhas gritam na cidadeGrandes bocas, vermelhas, gritam na cidade cinza
Talvez gritem mais alto por serem vermelhas
Talvez soem mais alto por ser cinza a cidade
São poucas as bocas e muitas as cidades
São muitas as bocas em poucas cidades
As bocas gritam e a cidade é muda
As bocas gritam e a cidade é surda
A boca chora na cidade suja
Ninguém ouve.
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