terça-feira, 25 de novembro de 2008

A flor era linda no meio do concreto...
Suspirava a força de vencer a barreira fria...
Gritava pro mundo a beleza da cor e do perfume...

Olhava pro Sol vigiando um futuro que era dos outros. Não dela, e sabia disso.
A flor embasada na semente aberta... na terra fofa... debaixo do cimento duro.
E o Sol, mostrando que há mais vida que aquilo no mundo... esquentando, iluminando suas pétalas coloridas.
A flor era apaixonada pelo Sol... ele tinha dado vida a ela... tinha cuidado dela desde então, nesse seu pouco tempo de vida até então...

Certo dia... o Sol ficou tão brilhante, tão brilhante, que a flor perdeu o fôlego. Ficou extasiada e ao mesmo tempo tão cansada...
Sentiu suas pétalas murcharem de sede... sentiu seu corpinho encurvar...
Mas não ligou, amava tanto o Sol, que seu exagero não era ruim.
Aguentou firme...
Até o momento em que o céu passou de azul brilhante para cinza. O Sol não estava lá.
Odiou as nuvens por terem tampado o brilho.
Observou o céu para desobrir o que se sucederia...

Logo sentiu uma gota na sua folha...
Se estranhou.
Outra gota caiu em uma pétala, enxugou-a rapidamente...
Viu que era água, e matava a sede.
Então o céu começou a mandar montes de gotas...
E ela se reavivou, se animou. Conseguiu erguer o corpo... e as pétalas se encheram de cor e vida.
Aproveitou o momento e se regenerou, não esquecendo do Sol.

Passou um tempo e as nuvens foram embora, deixando o Sol à sua frente de novo.
Olhou pra ele e brilhava mais ainda...
O concreto molhado se escondia mais ainda atrás da beleza iluminada da flor.
Ficou brava com a ausência do Sol, por tê-la deixado sozinha frente ao desconhecido.
Este, para se redimir, deu de presente para a flor um grande arco-íris.
O mundo então se coloriu, com a flor vencedora da cidade...

É...
E por um dia a cidade poluída brilhou.

O tempo nem sempre se fecha para o mal.

Viu?

sábado, 8 de novembro de 2008

~[ Elevador ]~

Sempre igual. Todo dia a rotina da surpresa...
No elevador, a mesma.
_Hoje acho que vai chover. - Diz o homem.
_Até que enfim né? Esse calor anda insuportável. - responde uma pessoa segunda.
_É... é calor de chuva mesmo. - responde o primeiro.
_Apesar que essas chuvas não andam resolvendo, é quase que só barulho.

Chega no seu andar, o homem segundo. Desce.
O primeiro comenta: Incrível como o clima é comentado no elevador... e o assunto muda porque depois da chuva o tráfego é que vai ficar insuportável...

E tinha razão. É sempre assim. O clima se torna soberano dentro do elevador... Deveria até ficar feliz. Não importa como está o céu, dentro da cubícula ele vai ser posto sob discussão sempre...
Até se acabar a energia e o elevador parar...
Todo dia igual. A conversa de elevador... sempre igual.

Vai entender.
E acho que o tráfego vai ser esquecido, só para se comentar a força do temporal.

Isso quando o silêncio sepulcral não domina o ambiente.
E quando não ficam todos olhando para baixo, observando, nos outros, a base que sustenta seus corpos.
Até pés ficam interessantes de serem vistos na cubícula.
Isso é algo tão filosófico... o medo do outro dentro do quadrado branco.
E eu queria discutir outras coisas... mas fico quieta. Sou adepta do silêncio e dos olhares pros números dos andares passando no visor... chega a ser interessante as voltas de elevador. Quando não agonizantes.

E é assim...
O clima é um assunto interessante mesmo.
Quebra o tédio...
E eu já estou virando uma mulher do tempo...
Preciso começar a virar adepta da escada... com certeza.
Eis a solução...

Pronto.

quarta-feira, 5 de novembro de 2008

Música.

Uma poesia musicada... e como musicada. Bela tanto!

"Moça, olha só o que eu te escrevi
É preciso força pra sonhar e perceber
Que a estrada vai além do que se vê
Sei que a tua solidão me dói
E que é difícil ser feliz
Mais do que somos todos nós

Você supõe o céu...
Sei que o vento que entortou a flor
Passou também por nosso lar
E foi você quem desviou
Com golpes de pincel

Eu sei, é o amor que ninguém mais vê
Deixa eu ver a moça
Toma o teu, voa mais
Que o bloco da família vai atrás

Põe mais um na mesa de jantar
Porque hoje eu vou "praí" te ver
E tira o som dessa TV
Pra gente conversar
Diz pro bamba usar o violão
Pede pro Tico me esperar
E avisa que eu só vou chegar
No último vagão

É bom te ver sorrir
Deixa vir à moça
Que eu também vou atrás
E a banda diz: assim é que se faz!" (Los hermanos - além do que se vê)

Obama ganhou as eleições dos EUA... Agora eles têm lá um novo presidente, com idéias, decente, e nós aqui assistimos à possibilidade de uma mudança pra melhor.

É isso, por hora. A dor de cabeça não me permite maiores idéias no momento...

Portanto, sem mais.