Os lobos vivem em alcatéias, grupos com hierarquia responsável e respeitada...quinta-feira, 18 de dezembro de 2008
Os lobos vivem em alcatéias, grupos com hierarquia responsável e respeitada...~[ O tempo vago ]~
terça-feira, 16 de dezembro de 2008
~[ O banco ]~
Pele de manjericão.
O passo atrás do outro no meio fio
O sonho.
Usa sapato de boneca.
Quer uma flor no cabelo
Um vestido rodado.
Um cacho fora do lugar
O balanço vazio
O banco da praça vazia
O banco vazio da praça vazia.
Quer palavras que soem lindamente
Jacarandá.
Ama a palavra Jacarandá como a um poema
Tira o sapato,
Raspa o pé descaço na areia
Sente.
Sente bem e tanto.
Pisa, de leve, pra sentir o passo e o erro.
Pisa na grama, pisa firme, sente a segurança.
Esbarra em espinho, quase.
Se espeta,
Sente o sangue.
Matura idéias, sonha.
É um armário, um berço.
É aventura, é anseio, é viagem
Quer verdades, quer inteiro, não metades.
"O tempo salta"
Por hora.
terça-feira, 25 de novembro de 2008
Suspirava a força de vencer a barreira fria...
Gritava pro mundo a beleza da cor e do perfume...
Olhava pro Sol vigiando um futuro que era dos outros. Não dela, e sabia disso.
A flor embasada na semente aberta... na terra fofa... debaixo do cimento duro.
E o Sol, mostrando que há mais vida que aquilo no mundo... esquentando, iluminando suas pétalas coloridas.
A flor era apaixonada pelo Sol... ele tinha dado vida a ela... tinha cuidado dela desde então, nesse seu pouco tempo de vida até então...
Certo dia... o Sol ficou tão brilhante, tão brilhante, que a flor perdeu o fôlego. Ficou extasiada e ao mesmo tempo tão cansada...
Sentiu suas pétalas murcharem de sede... sentiu seu corpinho encurvar...
Mas não ligou, amava tanto o Sol, que seu exagero não era ruim.
Aguentou firme...
Até o momento em que o céu passou de azul brilhante para cinza. O Sol não estava lá.
Odiou as nuvens por terem tampado o brilho.
Observou o céu para desobrir o que se sucederia...
Logo sentiu uma gota na sua folha...
Se estranhou.
Outra gota caiu em uma pétala, enxugou-a rapidamente...
Viu que era água, e matava a sede.
Então o céu começou a mandar montes de gotas...
E ela se reavivou, se animou. Conseguiu erguer o corpo... e as pétalas se encheram de cor e vida.
Aproveitou o momento e se regenerou, não esquecendo do Sol.
Passou um tempo e as nuvens foram embora, deixando o Sol à sua frente de novo.
Olhou pra ele e brilhava mais ainda...
O concreto molhado se escondia mais ainda atrás da beleza iluminada da flor.
Ficou brava com a ausência do Sol, por tê-la deixado sozinha frente ao desconhecido.
Este, para se redimir, deu de presente para a flor um grande arco-íris.
O mundo então se coloriu, com a flor vencedora da cidade...
É...
E por um dia a cidade poluída brilhou.
O tempo nem sempre se fecha para o mal.
Viu?
sábado, 8 de novembro de 2008
~[ Elevador ]~
No elevador, a mesma.
_Hoje acho que vai chover. - Diz o homem.
_Até que enfim né? Esse calor anda insuportável. - responde uma pessoa segunda.
_É... é calor de chuva mesmo. - responde o primeiro.
_Apesar que essas chuvas não andam resolvendo, é quase que só barulho.
Chega no seu andar, o homem segundo. Desce.
O primeiro comenta: Incrível como o clima é comentado no elevador... e o assunto muda porque depois da chuva o tráfego é que vai ficar insuportável...
E tinha razão. É sempre assim. O clima se torna soberano dentro do elevador... Deveria até ficar feliz. Não importa como está o céu, dentro da cubícula ele vai ser posto sob discussão sempre...
Até se acabar a energia e o elevador parar...
Todo dia igual. A conversa de elevador... sempre igual.
Vai entender.
E acho que o tráfego vai ser esquecido, só para se comentar a força do temporal.
Isso quando o silêncio sepulcral não domina o ambiente.
E quando não ficam todos olhando para baixo, observando, nos outros, a base que sustenta seus corpos.
Até pés ficam interessantes de serem vistos na cubícula.
Isso é algo tão filosófico... o medo do outro dentro do quadrado branco.
E eu queria discutir outras coisas... mas fico quieta. Sou adepta do silêncio e dos olhares pros números dos andares passando no visor... chega a ser interessante as voltas de elevador. Quando não agonizantes.
E é assim...
O clima é um assunto interessante mesmo.
Quebra o tédio...
E eu já estou virando uma mulher do tempo...
Preciso começar a virar adepta da escada... com certeza.
Eis a solução...
Pronto.
quarta-feira, 5 de novembro de 2008
Música.
"Moça, olha só o que eu te escrevi
É preciso força pra sonhar e perceber
Que a estrada vai além do que se vê
Sei que a tua solidão me dói
E que é difícil ser feliz
Mais do que somos todos nós
Você supõe o céu...
Sei que o vento que entortou a flor
Passou também por nosso lar
E foi você quem desviou
Com golpes de pincel
Eu sei, é o amor que ninguém mais vê
Deixa eu ver a moça
Toma o teu, voa mais
Que o bloco da família vai atrás
Põe mais um na mesa de jantar
Porque hoje eu vou "praí" te ver
E tira o som dessa TV
Pra gente conversar
Diz pro bamba usar o violão
Pede pro Tico me esperar
E avisa que eu só vou chegar
No último vagão
É bom te ver sorrir
Deixa vir à moça
Que eu também vou atrás
E a banda diz: assim é que se faz!" (Los hermanos - além do que se vê)
Obama ganhou as eleições dos EUA... Agora eles têm lá um novo presidente, com idéias, decente, e nós aqui assistimos à possibilidade de uma mudança pra melhor.
É isso, por hora. A dor de cabeça não me permite maiores idéias no momento...
Portanto, sem mais.
segunda-feira, 27 de outubro de 2008
~[ Aleluia!! ]~

Sentada no balanço de seu jardim, Sara ouvia vozes da cidade por todos os cantos. Velhinhas passavam voltando da feira, saudando o passado. Meninas rindo dos namoricos. Meninos falando das meninas. Garotos menores jogando bola. Garotas menores bricando de boneca ou brigando com os garotos menores que jogavam bola.
Havia sons de todo tipo passando por ali... Era ping-pong, pega-pega, rolemão. Era risos e choros e beijos e gritos. Era som de todo tipo.
Mas em um momento de sua audição, em outro mundo no seu quintal, algo lhe chamou a atenção.
Era uma voz fina, irritantemente áspera, que falava mal. Estranhou. O tom de revolta da voz se aliava ao som de fofoca e se fazia, aos ouvidos de Sara, algo irritante.
Concentrou-se para ouvir...
"Como a Joana está namorando o Alberto? E como pode o Marcos ter assinado tal contrato? Vocês estão me ouvindo?! Está tudo errado. A Márcia largou o emprego pra ficar em casa cuidando dos filhos. E o João que traiu a mulher e mesmo assim foi perdoado? Eu não posso acreditar numa coisa dessas. Como o prefeito proibiu tal e tal coisa? E vocês viram que o José faliu?? E o Carlos que se revelou alcoólatra? Como a Gabriela apanha do marido e não faz nada??"
Sara, assustada, resolveu descobrir de onde vinha aquela voz que tanto cuidava da vida dos outros.
Percebeu que o som vinha do parapeito de sua janela que dava para o jardim. Foi até lá.
Não havia ninguém. "Quem está a falar tanto?"
_Eu!
Olhou para baixo e viu uma aleluia. "Não pode ser, você é uma aleluia"
_E só por isso não posso falar? Está tudo errado... por acaso você viu que a Joana está namorando o Alberto? E viu que o Marcos assinou um contrato de venda da casa? E...
Antes que continuasse, Sara resolveu interromper.
_Sim, ouvi tudo. Mas não entendo porque fala tanto da vida alheia. Já temos uma vida tão repleta, mal conseguimos cuidar da nossa, pra quê tanta fofoca?
_Pra quê?? Você não ouviu?? A Joana está namorando o Alberto! E o Marcos assinou um contrato de venda da casa dele... E...
_Entendi senhora aleluia - disse Sara agitando a saia e se aproximando um pouco mais da janela - Mas a questão é que não me importa quem a Joana namora, nem o que o Marcos fez com a casa dele. Isso não diz respeito à mim, entende? Só interessa pra eles. A senhora não devia se importar tanto com a vida alheia. Eles nem te conhecem...
_Como não?? Já passei por lá...
_Senhora aleluia, a senhora é uma aleluia! Nem sei eu como posso te ouvir!
_Você não está entendendo, menina estranha. A Joana está namorando o Alberto. E o Marcos...
_Está bem aleluia! Eu já entendi!! - Disse Sara tentando manter a paciência - Mas a vida é muito mais que isso. A vida vai muito além de pensar na vida dos outros. Inclusive, gastar o tempo pensando na vida dos outros é deixar de viver e perder o seu. Olhe para o meu jardim: você poderia estar curtindo o mato e as flores e as madeiras. Se enamorando por cupins como você. Qual a graça de perder o valioso pouco tempo que temos xeretando a vida alheia? Há tanto Sol, natureza e pessoas interessantes, tantas novidades e momentos que podem ser aproveitados... Tanto conhecimento que podemos evitar desperdiçar. Tantos seres vivos que podemos conhecer... E tantos lugares e sentimentos que podemos desvendar.
Pra quê gastar o tempo com a fofoca? O que os outros têm de tão importante para se tornarem prioridade em sua vida?
Quando foi responder... A aleluia caiu, dura, pra trás.
Sara se surpreendeu. Cutucou-a. Chamou por ela. E nada.
Estava morta a fofoqueira.
Então, ainda aflita pela resposta não dada, Sara se lembrou que aleluias só vivem 24 horas. (Aleluia!)
E pensou como seria sua vida toda enxuta em 24 horas. Com certeza não se importaria com isso... A vida alheia seria parte da paisagem estagnada.
A sua vida curta seria uma tentativa de provar o lado bom do mundo em apenas um dia.
Um dia.
** Moral da história: Carpe Diem. Mas Carpe o SEU Diem.
Obrigada.
.
domingo, 26 de outubro de 2008
~[ Los Machados ]~
Deixa as rosas brotarem... deixa o mato crescer. Depois de uma grande poda, com certeza os brotos hão de nascer.Que redemoinho...
Como pode acabar algo que não começou? Grande essa...
Como ignorar o passado??
O raio pode não cair duas vezes no mesmo lugar... mas e se houver um grampo no seu cabelo?
Eis o grampo que queria tirar do meu.
"Me diz o que é o sossego que eu te mostro alguém afim de te acompanhar..."
"Deixa eu brincar de ser feliz..." Deixa...
Vai entender...
Olhos de cigana, oblíqua e dissimulada...
Olhos de ressaca. Ressaca inteira da alma... A alma toda oblíqua e dissimulada.
A alma toda cigana.
Quero uma machadada às vezes... x)
Deixa estar...
Fazendo da queda um passo de dança...
Dançando a vida toda.
Toda.
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sábado, 25 de outubro de 2008
~[ Mãos... ]~

Meia-noite. Acordada ainda pensando no dia que não foi e nas horas que já morreram. Sente falta. Sente-se suja. Adormece pensando na filosofia de envelhecer. Sente-se velha. Aos dezoito anos?
Ele não ligou. Ninguém liga. Poucos ouvem e ninguém vê. Dorme.
Acorda sem poder pensar em tempo livre. Olha de lado o jornal. Só morte, corrupção, descaso... Como queria aprender a agir como adulta. Lutar pelos sonhos, brigar como fera. Aos dezoito anos... Segura o choro.
A saudade da infância trinca a garganta. A vontade de força treme as pernas. A lembrança das pernas pequeninas enroladas no balanço... Tudo pensa, tudo quer. Não é nem pirralha, nem mulher. Até é bom: Cansou de não poder fazer nada a não ser sonhar (e sonha!), quer a liberdade sem envelhecer.
Sai de casa, sente o vento, vê uma borboleta. "Ainda existem borboletas?" pensa. Vê dois cachorros de raças e cores diferentes enamorados através de um portão, "existe amor?". Vê uma águia pairando, "É liberdade?", "ter o céu?". Vê uma semente brotando, "Ainda se vive?".
Precisa ir pro inglês, cursinho, jazz, aula de exatas, ballet, dentista. Precisa entregar trabalho... e nada quer fazer. Quer descobrir e sonhar aos dezoito anos.
Acabou de fazer dezoito. Só quer ler e pensar. Isso significaria o quê?
Não quer ficar como todos, e já é? Agora é?
Ouve bolero, rock'n'roll, samba, popoular, lambada e maracatu...
Sonha com o amor eterno, o imortal infindo...
A trilha sonora, amor de bolero, aos dezoito anos...
Quer vento verde.
Passa o dia. Em branco. Quer amor.
E ele não ligou...
Passa o dia no parque.
Volta pra casa. Nove da noite, já. Já.
Dezoito anos e um dia. E um dia? Um dia já?
Duvida do tempo.
Passa no supermercado vinte e quatro horas... (e dezoito anos!). Sorri. Quer um pãozinho quente.
Sente a mão dele na dela... Respira. Suspira.
Cruza os dedos.
Sente o bafo quente de pãozinho recém saído do forno (e dezoito anos!). Sente o bafo dele na orelha.
Morde o pão, queimando, sorri.
Dezoito anos, e o amor existia...
"Não solta minha mão..."
E caminhando seguiu...
Era agora dezoito anos.
~[ Simples assim... ]~

(sussurrado em 03/09/08)
Um complexo completo... Um algo quê de gosto de prazer por poder nascer e renascer diariamente... acordar sorrinho e dormir rindo...
Um gosto de beleza, de força, de luz. O sorriso de liberdade, de sinceridade, de leveza e novidade. A esperteza de ser esperto... no melhor dos sentidos.
A delícia de sentir a curiosidade e o medo pela coisa nova. A mordida começando por beiradas... e o pulo por completo. O canto, o passo, o olho.
A fala, a boca, o beijo... O beijo, o beijo, mas a fala.
A simplicidade por se ser simples, encontrando no universo todo um só eu. E no eu um universo todo.
Do toque mais rápido que o pensamento... Do pensamento antes do toque. Da confusão, e de se fazer se fazendo.
O amor é doce, amargo, azedo, ardido... é puro, se existir.
É reação química, é escolha, é disposição. É nada... e tudo...
E doce, por onde se morde.
Estou desenhando meu passo como traço de um poema.
Que mal chegou na introdução...
.
~[ Saudade. É bom. ]~
(sentido em 27/02/08)Sou saudosa demais.
Tenho saudade da minha infância, dos sonhos, da magia da imaginação, de ser um filhote, protegido...
Sinto saudade de quem não está comigo... E não sei lidar com isso. Raramente fui de sentir saudade de pessoas... Não sinto.
Mas hoje sinto. Isso é duro, mas me fortalece.
Aprendi que preciso aprender a mutilar minha terceira perna, e não me sentir aleijada com isso. Preciso aprender a andar só com minhas duas! E ser completa com essa incompletude.
Aprendi que preciso conseguir aprender isso, mas não consigo. Isso não quer dizer que não irei.
Aprendi que podemos colocar tudo abaixo com algo minúsculo. Que a força está em nós mesmos, e tudo está em mim, dentro, no fundo. Isso quer dizer, que devo pensar nisso antes de toda e qualquer coisa.
Tenho saudade de coisas que não quero mais, mas sinto e pronto. Tenho saudade daquilo que não sei e não vivi. Tenho saudade daquilo que eu realmente amei e amo.
Isso quer dizer, momentos... Mas não necessariamente os quero de volta. Simplesmente sou feliz pelo que passei ou tive.
Mas sinto muita saudade da minha terceira perna, que devo mutilar. Isso sim.
Mas eu gosto desse futuro que brinca com todos. Dessas provas colocadas à nossa frente, pra sabermos como somos, o que queremos, o que amamos.
E concordo: "...E o futuro é uma astronave que tentamos pilotar..."
Tentamos, isto é, não o fazemos nunca. Só tentamos. É como quando queremos desvendá-lo. Só tentamos. No fundo, só sentindo pra viver. Só vivendo pra saber. Só sabendo pra tentar mais ainda.
"Vou virar astronauta, pra aprender o caminho"
E me canso. Me canso das palavras, mas não fico sem elas. Me canso de tudo, mas não vivo sem. Sei que não.
Quero ser feliz pra sempre...
Com quatro pernas, se possível, sempre.
Isso.
.
Obs: Queria ter as possibilidades de uma criança com a maturidade de hoje... é?
(viajado em 16/02/08)~[ Talvez... ]~
Essa minha convicção advém do simples fato de o homem precisar sentir o medo do maior para poder ser humilde. Precisa ter medo de algo mais poderoso que ele. Precisa sentir que caiu do topo da cadeia. Afinal, todas terminam nele. Precisa sentir o medo do tombo.
Se os dinossauros tivessem vivido na mesma época dos humanos, estes últimos teriam percebido o poder supremo da natureza. Teriam visto que não são os donos do mundo. Teriam sentido na pele o que sente a presa. Teriam sentido a presa.
Teriam se desprendido do inútil, do desagradável. Teriam se desprendido do sentimento de onipotência e petulância.
~[ ... ]~
Não quero nem posso querer nada mais, nem me lamentar. O lamento é falta de gratidão. Tudo o que temos, foi porque fizemos. Tenho de chocar-me, tenho de arranhar-me a alma. Tenho de acordar para o resto do mundo.
Nem sempre recebemos o que queremos. Nem por isso deixamos de fazer. Eis o erro. Devo estabelecer um limite para ir somente até onde a alma suporta. Até onde o coração aguenta.
E o maior encontro do mundo é aquele quando nos encontramos nós mesmos. Sozinhos. É como se a arte e Deus se unissem para me dizer o quão errada ando sendo. Onde ando errando. O que posso fazer para não ter do que reclamar. E não tenho. Apenas de ter perdido um pouco o gosto. Um pouco o paladar.
E o que seria se não fosse? Eu mesma. Do mesmo jeito. Uma metamorfose ambulante, que ambula mesmo pelos mundos, e que erra, e muitas vezes, repete o erro só para certificar.
Uma garota que se promete coisas e cai na fraqueza de não poder se surpreender e erra de novo. Uma menina que voa alto, que não deseja o que é igual, que deseja ter a felicidade nas mãos pelo resto da vida. E que se desmaterializa diante de uma frustração. Uma alma em profundo aprendizado e crescimento, que se depara com algo não recíproco e fica sem saber agir. Que dá um basta durante um segundo, e depois esquece do que precisa. Que não se satisfaz com o pouco, o provável, a rotina e o esperado. Uma romântica última. Uma pierrot apaixonada que vivia cantando e não quer acabar chorando. Alguém que se desespera pelo medo, que tem medo do ciúme, que precisa de segurança e de repetições. Que faz questão de avaliar cada centímetro, e não entende suas próprias reações. Alguém que não se prende, não consegue se segurar, que solta pelo rosto a expressão do sentido, que não disfarça e que quer gritar como um tico-tico quando quer comer. Alguém que grita, que pede, e não é ouvida. Alguém que é ouvida por aqueles que não entendem, ou por aqueles que não precisam ouvir. Aqueles que não precisam de mais problemas.
Alguém que não tem onde se segurar, e quase sempre cai. Uma pequena que pensa que é grande só para sentir como seria se fosse. Uma grande que pensa que é pequena só para matar a saudade.
Uma pequena que imagina e sonha. E não quer acordar nunca. Uma grande que imagina e sonha, e não queria ter acordado nunca.
Uma pessoa que acredita, que idealiza, que sonha, mesmo tendo seus heróis mortos por overdose. Uma jovem que deseja, aspira, e respira através do ritmo do mundo, isto é, sempre ofegante.
Uma adolescente que sente medo. Que se sente covarde muitas vezes. Que sente muitas vezes que quer uma coisa que não tem.
Que umas vezes odeia sentir o que não sabe, e não conhece, outras vezes adora sentir o novo.
Mas que agradece, que é feliz, e que se sente completa.
Até porque como disse outro dia... o completo só se completa no vazio.
Isso quer dizer, que metade do meu copo vive com sede.
Vive com sede.
E por isso, muitas vezes, chora sangue.
Chora sangue.
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(desabafado em 08/02/08)
Então... eu preciso falar, mas não sei o quê.
Acho que é medo... Susto, essas coisas incompreensíveis. Mas uma coisa é certa: Vai dar certo.
Eu queria poder me explicar e ter orgulho da minha explicação. Uma vez que quisesse sair saltitando como um coelhinho pelos bosques floridos, sempre há responsabilidade, medo e insegurança por trás de tudo.
E, da mesma forma, eu odeio me explicar, e não sei o que eu sinto. Estou tão feliz... e assustada. x) Mas feliz.
Os ventos andam repetitivos, secos, sem graça.
O Sol voltou a brilhar hoje e isso me deu uma alegria descomunal.
Vi que as plantas brotam no verão. Que neva na primavera. E que o mundo fala por si só. Obviamente, então, minha natureza também fala por si só. E a indecisão também.
Isso é a falta de carinho que no fundo não sei se é. Pode ser o cansaço de ser posta a provas todo tempo.
De querer ser melhor, mais completa, e me ver tão nada e vazia. Mesmo que esteja me sentindo mais completa que tudo. Sempre algo falta, e sempre está completo.
A completude se completa na ausência.
Isso é fato. Tudo que é completo demais estoura. Tudo o que é vazio e completo se completa.
Então... deve ser isso.
O vazio que me transtorna é o mesmo que me faz feliz.
Pronto.
Obs: O Pedro há de chegar... (não... não estou grávida.)
.
~[ Tantas cores ]~

(escrito em 18/12/07)
Como meus sonhos... multicolorido, como meus sonhos...
E em meio a um ambiente árido, ele se mantém multicolorido...
É isso que desejo. Manter as cores, os desejos, os sonhos, em qualquer lugar, em qualquer situação.
Sentir o vento, o gosto, a luz, a pele, o cheiro, os olhos e olhares, onde for...
Tenho feito tantas contas, que quando me pego, vejo que mudei, e me sinto estar andando em um lugar nunca antes pisado...
Dá medo... de não ter tempo de nutrir meu sangue e minhas cores. O amor que sinto, minha paixão pela vida e pelos meus ideais... meus objetivos ainda não iniciados...
Minha luta.
Meu sonho.
Acredito na felicidade plena, e na felicidade de ter felicidade. Na alegria de sentir o mundo como ele pulsa, e não como queremos. De aceitar que é assim, mas de não aceitar o que achamos errado. De aceitar que é assim mas que podemos melhorar e mudar.
De sentir a simplicidade das coisas em meio aos riscos e danos. E de ser como se é.
De ser feliz e amar acima de tudo. (em todas as vertentes e sentidos)
Eu quero minhas cores para sempre! SEMPRE!
E poder ser como sou, fazer o que quero, viver como quero.
Ser como sou simples assim.
Continuar completa.
"O interno não aguenta tinta"
Já disse?
Ponto.
Obs: E a roda-gigante que não pára de rodar...
E pensando bem... Ainda bem.
(escrito em 02/12/07)Eu acredito no amor. De um jeito assim... pleno.
Acredito nas coisas simples, belas e deliciosas da vida.
Acredito na fidelidade, acredito na admiração, na paixão eterna.
Desconfio muito... e, ao mesmo tempo em que acho o mundo muitas vezes sem graça, muitas vezes sem prova de que há amor, respeito e admiração... quando encontro alguma prova... fico em estado de otimismo completo. Porque eu sei que eu sou uma prova disso... mas que tudo isso não depende de um só.
De qualquer forma... eu acredito no amor eterno, em todas as vertentes desse sentimento.
Acredito nas soluções, na perseverança, na luta. E ainda acredito que existe amores eternos e perfeitos em um mundo com tanta podridão.
Acredito na força da união, na magia das mãos dadas, no sentido do desejo e do sonho.
Na carnalização do sentimento, na realização de sonhos...
Mesmo às vezes perdendo a força da crença... eu acredito.
Eu acredito que o amor pode durar pra sempre... que as pessoas podem se amar pra sempre...
Acredito que, na nossa cultura, podemos ter nossa vida virada para o encontro com a vida que nos completa.
Hoje estou achando tudo bobo e ridículo.
Acho que o amor verdadeiro é tão raro, puro e sincero... que de resto, se esconde em meio à tantas coisas ruins.
Eu não sei o que estou achando.
Mas quando acho o que amo e admiro, fico tão feliz... que nem sei como explicar.
E às vezes me dá raiva de ver coisas que me fazem perder a esperança... ou ouvir coisas que me deixam pensando que não há...
Mas ainda acredito...
.Ponto.
~[ O olhar... ]~ Jorge Luis Borges.
Tenho aprendido muitas coisas nos últimos dias. Tenho encontrado minha organização temporal, e automaticamente me encontrado um pouco mais comigo mesma. Não que agora eu saiba muito... nunca... mas que eu ando mais alegre por descobrir tantas coisas antes ignoradas no meu particular mundo, eu ando. Ter tantas idéias, e filosofias... e encontrar um tempo para pensar em tudo o que movimenta o meu já movimento interior me deixa demasiadamente um pouco mais completa, ou menos incompleta.
Primeiramente, tive uma aula de teatro e vida com o mestre Sotigui Kouayté... Grande griot africano. Me falou tantas coisas... me deu tanto brilho nos olhos... que nem sei se sei passar isso para a escrita. Confirmou comigo que fingimos nos preocupar com os outros, mas se nos preocupássemos mesmo, o mundo não estaria como está, nem seria como é. Me disse que um dos nossos problemas na relação com o outro é que pensamos demais, pensamos pelo nosso corpo, não deixamos que o nosso corpo fale por si só. Estamos sempre pensando em como o outro vai reagir, o que vai sentir. (Como meu querido Alberto Caeiro também confirma, em outro contexto: "Pensar é estar doente dos olhos")
E eu tenho pensado muito, e visto muito. Encontrando várias formas de descobrir todos os espaços e as vertentes diversas que o mundo tem para me oferecer.
Hoje me encontrei com esse simpático senhor da foto, Jorge Luis Borges. Poeta argentino, conhecido e respeitado no mundo inteiro. Este me diz muitas outras coisas mais. E me faz pensar em tantas outras. Para começar, me explica que o cego não vê tudo preto, mas sim tudo branco. Com sua cegueira genética, ele diz que se vê sempre rodeado de uma neblina de luz. O que me faz novamente pensar em como pensamos bobagens, em como damos valor às coisas bobas. Comenta do amor, da guerra e da morte.
E diz ainda, nas minhas palavras (porque as dele eu não tenho para confirmar), que o homem que se sente com sucesso e com fracasso está equivocado, já que o sucesso e o fracasso são impostores.
E eu concordo plenamente. Concordo que, primeiramente, ambos são relativos. E dependem da nossa ordem de origem para percebemos que, não há sucesso nem fracasso absoluto, uma vez que o mundo gira e gira e gira e gira, e tudo muda o tempo todo. O que pensa ter sucesso não sabe que pode ter muito menos do que imagina, conquanto que o que pensa ter fracasso, não imagina que tem muito mais do que um mais fracassado que ele. Não sei se me fiz entender.
E penso também que fracasso e sucesso andam juntos. São as faces de uma mesma moeda.
E essa questão da cegueira me fez pensar muito. Borges é cego e tem um alto astral, uma ironia que me fazem pensar melhor antes de reclamar de uma dor de cabeça. Ou de reclamar de qualquer coisa que seja. De reclamar.
E me fazem pensar na questão do olhar, que eu tanto penso. Já que tanto olho... e amo olhar... e olhares... e olhos.
("O olho, órgão da percepção visual, é, de modo natural e quase universal, o símbolo da percepção intelectual".)
Pensei em tantas coisas, e chego aqui as esquecendo. Essas coisas me impulsionam em uma leve nuvem de pensamento, me fazendo refletir sobre tudo e todos o tempo todo. Questionando tudo. Sempre.
Acordei e dei de cara com o jornal. Novo acordo que visa substituir Kyoto será discutido. Resolvi ler. E logo me bateu aquela raiva. É sempre a mesma coisa. Se há metas, tem sempre uns E.U.A. para negar, e sempre uns que não vão fazer porque os E.U.A. não vão. E eu acho tudo um poço... de ridículo. Ninguém se preocupa com questões ambientais até ver o mundo pegando fogo. Quando não tem mais jeito, temos ainda que aguentar essas discussões babacas e infantis de "Se ele não vai, eu não vou". Sinceramente, eu usava essa frase nos meus primórdios escolares. E pensei nunca mais ouvir. Bobeira minha. Enfim, o planeta já gritou, chorou, só está faltando espernear para que paremos de discussões como essa e começemos a agir logo. No sentido de que, na minha opinião, os países devem fazer o máximo que puderem, como puderem, o quão antes puderem. Tomando a iniciativa. O Brasil mesmo não quer aceitar as normas. Eu não vou comparar o Brasil comigo, mas quando eu coloco um objetivo na minha vida, o processo vai mais rápido. Falando em larga escala, acho que essa de fazer mini-políticas de tentativa para TENTAR parar com o desmatamente não dá. NÃO DÁ. Essa é demais. Se colocarmos uma meta de redução do desmatamento, é capaz de termos a possibilidade de mudar algo. Já que temos a maior concentração de biodiversidade, temos a maior concentração de áreas verdes... o mundo está nos expulsando, e a gente dizendo que vai tentar. Não. Vamos fazer. Precisamos disso. Se os E.U.A. não querem fazer... Nós vamos. O mundo deve. Não é mais questão política... é urgência. Sem ataques infantis. Quem quer fazer, faz. (ou pelo menos tenta... lutando)
Vamos esperar essa reunião. São 15 mil pessoas de 190 países indo discutir a causa. Vamos ver. Todos deviam ser obrigados a mudar o máximo e lutar ao máximo para tentar resolver o problema. Agora, no desespero, querem em cinco anos, mudar o que está sendo feito desde a Revolução Industrial. É rir pra não chorar.
Hoje o dia foi intenso de causas que precisam de tempo para serem processadas.
Até dei de cara com um engenheiro que virou artista plástico... mais esperança.
É... são assuntos muito densos para serem discutidos assim. Cada um precisaria de uma página, no mínimo.
Hoje também, me encontrei com "O povo brasileiro", vendo os índios, os rituais, nossos antepassados, já que quase todos estão extintos. Matamos a nossa parte mais íntima e bela. E todos se emocionam quando vêêm a beleza da natureza... mas não fazem nada para preservar, e não se importam em destruir. É um absurdo. Eu não me conformo. Dizem que cada um vem ao mundo para cumprir a sua missão. Eu acho que essa é a minha. Viver da arte, em todas as suas vertentes, e lutar pela preservação e reconhecimento das matas, das espécies e do homem. Viver para tentar criar o equilíbrio. É... é isso. É o que quero.
Sem mais no momento, já que as palavras se esvoaram inteiras da minha mente. Preciso mastigá-las melhor, condensá-las melhor, para discutir tantas coisas que andam pulsamento sem sossego na minha cabeça.
No ritmo do meu coração...
Para terminar... gostaria de dizer que na minha opinião o mundo inteiro é um só. Todos os países tem seus ligantes. Todos têm cultura, língua, nacionalidade. Todos têm seus problemas políticos, públicos, sociais e ambientais. Todos são iguais, divididos apenas pela diversidade e singularidade de cada um. O corpo, o esqueleto, a base é a mesma, só muda os acessórios, as tintas.
(Como eu amo lembrar: "O interno não aguenta tinta")
Cada animal é de uma forma e de uma cor. Mas são animais, e vivem do mesmo modo. No mesmo círculo.
Não sei, novamente, se me fiz entender... De qualquer forma...
Obs: Mas sei que no meu ritmo eu chego lá, os tambores da vida vão me narrando o caminho que devo tomar, e a dança que devo estremecer...
(O silêncio andou cantando a música certa.)
~[ Eu ainda tenho esperança... ]~

(escrito em 27/11/2007)
Nesse meu diário íntimo... eu encontro um lugar para gritar para o nada... E fazer tudo dentro de mim ouvir. Me sentir livre... já que poucos no mundo ouvem.
Eu ainda tenho esperança de ajudar na construção de um mundo melhor. De participar ativamente de lutas que hoje em dia acompanho de longe. Tenho esperança ainda de lutar pelos meus sonhos, pelos meu objetivos, e ganhar a guerra contra tudo o que me aflige e me agoniza.
Tenho esperança de ajudar na luta contra a fome e contra os problemas ambientais.
Sinto que, quando eu passar na faculdade, terei mais chances de lutar por isso. Às vezes, penso que, quando passar na faculdade, não terei tempo pra nada, e serei mais uma na fila em que todos pensam, falam, e não fazem nada, igualmente.
Tenho tanta agonia, tanta fome de luta, de força... e me sinto tão fraca, tão impotente.
Leio tantas coisas que me fazem refletir e me dão forças. Vejo que as pessoas são tão ridículas que só se preocupam com o mundo quando vêem que estão sendo prejudicadas, que o lucro não está sendo o mesmo.
Falar nesse flog é como gritar para o meu reflexo no espelho. Me sinto liberta depois, mas só tem impacto em mim mesma. Serve para eu me dar um tapa na cara... para eu refletir sobre meus próprios atos e princípios. Próximos dias vou estudar tanto... que terei apenas esse espaço para me libertar.
E não deixo de ter esperança. Esperança de mudar, de sair por esse mundo fazendo o que meu coração mais pede. De atender o grito de agonia de pessoas miseráveis, do grito de socorro de animais em extinção. De conseguir resolver pelo menos uma parte dos tantos problemas desse mundo, que fazem com que ele pulse, implorando por socorro.
E é um socorro que ele pede mais por nós. Porque sabemos que ele mesmo não vai morrer, mas ele quer nos ajudar, quer que nos ajudemos. A necessidade é tanta... e só enxergam quando não há mais nada para se fazer...
A ganância humana, a hipocrisia, a ambição é tanta... E meu ódio é tanto, minha raiva, e ao mesmo tempo o meu sentimento de que quero tanto fazer, mas não sei por onde começar... É tanto... que às vezes sinto que não há o que fazer. Simplesmente devo sentar e chorar.
Por outro lado... tem vezes que sinto que chorar só vai me deixar mais fraca... que devo erguer a cabeça... e colocar em prática todas as minhas idéias e a minha vontade de conseguir vencer... Mas... Por onde começar? Como começar?
É tanta vontade, tanto sonho. Sei que quando começar não vou mais parar... Mas ainda me sinto muito fraca e impotente. Vou começar a pensar esse ano mesmo.
Sinto que posso. Que quero. Então... o que falta?
Se há vontade e chance de realização... o que me falta?
Ainda falta... mas esperança não é.
Ainda tenho esperança. E sei que vou lutar por isso. De um jeito ou de outro.
Não quero mais chorar e sentir que nada posso fazer. Quero chorar de felicidade por fazer minha raiva e minha garra ganharem a liberdade e lutarem ao meu lado pelo o que mais eu quero: Um mundo decente, um mundo melhor.
Com balanceamento, organização, e pessoas civilizadas. Um mundo onde o homem respeite o bem que o trouxe ao mundo.
Sinto que o que faço pelos meus ideiais é muito pouco para o que sonho.
Mas sei que ainda chego lá. Eu chego.
Ainda tenho esperança. E força pra lutar não falta.
Por onde começar? Ainda não sei... mas uma coisa é certa: Eu vou começar.
;*
Obs: Alguém aí me dá a mão?
(Escrito em 18/06/2007)
* Pensamentos, fumaça, pesadelos, suor, sorrisos *
| Ando meio aflita. Algo está me deixando meio aflita. Acho que são os sentimentos, pensamentos e algo passional que sinto novamente depois de tanto tempo. Algo que me faz elocubrar sobre o amor e o sexo. Não quero, nem sou daquelas pessoas controladas pelo pudor que olham de um jeito repreensivo para o sexo, que, na minha opinião, deve ser a carnalização do amor. E quando é realmente a carnalização do amor, é lindo. Isso porque nos últimos tempos tenho acreditado no amor. E sei que essa fé pode ser passageira. Eu não sei, na verdade, o que penso sobre isso. Não sei ao certo o que quero e no que acredito. Passo por fases, me perco, me confundo, me complico, me reencontro. Eu penso que acredito no que sinto e desconfio das pessoas. E o final de semana se tornou algo parado, o social nulo, por vontade e determinação de escolha. Seria esse o peso de sentir? Seria essa uma palavra insuportavelmente pesada pra quem almeja se manter inteira e forte? Tenho que pensar e sentir, e, no momento, não ando querendo sair muito do meu aconchegante canto de lugar nenhum. Deixo-me dormir. Tenho de estudar. E parar de discutir essa crença que muda a cada brisa nova que sinto passar por mim. Ponto em aberto. E gosto de pontos. .... Meus textos se perdem dentro de mim. E eu sou feita de paradoxos e contradições. É falta de certeza e mente aberta para novos conhecimentos, novas técnicas e certezas. Aquelas bem que não são certas. Eu penso mais que caminho. Até porque penso toda vez que estou caminhando e nem toda vez que penso saio do lugar. Descobri outra coisa: Minhas sobrancelhas são seres de vida própria. E livres. Assim como as faces o são. Uma birra: A saudade atormenta. Me movendo, no bem português do Brasil. Uma bronca: O medo atormenta. Aqueles de pesadelo também. De querer colo no meio da noite. De carinho. Aquele de não saber o futuro. De se perguntar como será. De gritar por socorro. Ainda bem que não o sei. Se soubesse eu não iria gostar. Até porque o passado já foi e o futuro não me traz preocupações. Isso porque eu acho que o presente é realmente um presente. E devemos aproveitá-lo como tal. Na calma. Na intensidade. Certas coisas não mudam. Tudo muda. Vai entender. ;* |
As pessoas geralmente têm medo das palavras. Eu gosto da escrita. A história também. Muitas passarão e nem perceberão esse texto. E é bom. São pensamentos soltos nos ar. Não precisam ser lidos para fazerem algum sentido.
Hoje muitas coisas me fizeram parar pra pensar.
Talvez o tempo passe muito rápido. A ponto de não termos tempo pra envelhecer. Muitas vezes eu penso que envelhece quem quer. Mas hoje algo mudou isso. É inevitável o crescimento, o amadurecimento, e acima de tudo, a mudança no modo de pensar e de sentir as coisas. Fernando Pessoa mesmo afirmou "Continuamente sinto que fui outro, que senti outro, que pensei outro. Aquilo que assisto é um espetáculo com outro cenário. E aquilo que assisto sou eu." - É a lei da contínua evolução. Não devo dizer que nego o passado por ter apagado fotos, posso afirmar que certas coisas marcaram, me fizeram, e não precisam estar presentes tomando espaços de novas. É bom se desvencilhar. É difícil. É ótimo.
Entrando no elevador hoje, me deparei com uma criança. Um menino. Devia ter uns cinco anos (por estimativa baseada simplesmente na imagem - e em nada). O menino não olhava pra cima. Eu não disse nada. Simplesmente pensei em como não me socializei de primeira com uma criança. Estaria envelhecendo? Mas pessoas mais velhas falam com crianças. Estaria então não me despregando da infância? O menino abriu a porta e entrou envergonhado por uma fresta. Eu lembro de quando sentia vergonha de meninos mais velhos. Eu lembro quando evitava entrar no elevador por ter um menino desconhecido. Seria prova do crescimento? Dentro do elevador eu o observava. E ele apenas olhava para baixo. Com um sorriso sapeca. Foi diferente. Parece ser inerente ao ser humano entrar no elevador e comentar sobre o tempo. Tempo digo de clima. Com a correria de hoje em dia... é espantoso perceber como o tempo se torna centro das atenções e de total importância em um cubículo daqueles. Nos dias de hoje as pessoas correm tanto, sentem pouco, e esquecem da delícia que é olhar pra cima. Hoje em dia as pessoas não lembram das pequenas delícias da vida (não digo todas... mas a maioria). Portanto... o tempo, por um instante, se torna a coisa mais importante. Como se mudasse as vidas. Convivo com esse ambiente há doze anos. E nunca vi (ou raríssimas vezes) alguma outra coisa ser tema do trajeto. Se chove, é porque choveu. Se está sol... está sol.
Penso um dia chegar no elevador e puxar um assunto completamente nada a ver. Preciso sentir o ambiente. Um dia me disseram que no elevador, todos só sabem olhar pra frente com cara de paisagem. Dessa vez foi diferente. O menino olhava pra baixo. E eu olhava pra ele.
Penso que a vida é linda. Discuto dobre imortalidade ligada à ciência na aula de inglês. E nada concluo. O conhecimento não necessariamente representa o que se sabe. Acredito que há outras formas de conhecimento. Há aquela uma, que quase ninguém percebe, que age ligeiramente, que passa despercebida, que é o de sentir.
Por exemplo... eu gosto de chocolate. Mas não necessariamente gosto de chocolate. Fernando Pessoa me pergunta qual a metafísica de que existe em comer chocolate. Afirma que não há. Me chama de suja. Mas há certo conceito. Eu gosto, você gosta, mas não necessariamente gostamos. Eu já nem sei, nesse mundo louco, globalizado e sem sentido, qual o significado real dos verbos. Eu gosto. Mas como um e me sinto satisfeita por um mês. Uma amiga come cinco, e sente vontade de mais cinco após sete segundos. Qual a conclusão? Que gostamos diferente. E não necessariamente ela gosta mais. Não há, nessa conclusão, a medida da força da palavra. É imensurável, na verdade, a quantidade do sentido de sentir (ficou claro?).
Outra coisa que reparei sobre essa história de conhecimento. Que o pensamente é mais forte do que eu pensava, e muito mais forte do que me diziam. Percebi que às vezes sabemos coisas, e quando pensamos que não sabemos, chegamos a ponto de não saber. Percebi que quando sabemos, e forçamos, achando que sabemos mesmo, sabemos mais. Isso deve valer pra tudo. Mas não coloquei em prática. Então nada posso afirmar. Nada mesmo. È só uma elocubração (palavra de enriquecer dissertações) a respeito da força do pensamento.
Cheguei na porta do escritório e li que devemos sorrir muito. O tempo todo. Como bobos. Porque vão nos amar mais sorrindo. Vão nos amar mais se sorrirmos? Eu gosto de sorrisos. Eu gosto de risadas. Mas se conhecer alguém que sorri o tempo todo... 24 horas por dia... vou duvidar de sua verdade. Chegarei a perguntar se tudo é tão colorido para não conseguir manter a calma e ficar séria por um instante. É bom sorrir... Mas tudo valhe a pena quando é sincero. Como o verbo amar. Acho que não cheguei a comprovar a diferença de tonalidade de um "eu te amo" sincero, de um falso. Quer dizer, já. Mas hoje é tudo tão como é (deixo no ar), que não se sabe o que dizem, do que fingem dizer. Se a pessoa sorri, sorrindo por dentro, com os olhos brilhantes, ou se sorri sem significado nenhum. Eu gosto de pessoas que distribuem sorrisos o tempo todo com significado.
Minha garganta dói. Meu joelho teima em falhar. E eu sorrio. Agradecendo aos céus (aos meus protetores) não ter nada complicado ou sem cura.
Hoje me pressionaram. Não tenho as respostas. Não consigo certas coisas. Não engano meus limites. E gosto de sorrir. Eu escuto. Eu escuto músicas, que se tornam diferentes, com detalhes antes nem percebidos, como se fossem novas, mesmo sendo velhas.
Deve ser esse o sentido do espírito. Pensei hoje se as pessoas passam sempre pelo mesmo amadurecimento, e se tornam todas iguais. Reparei que é tudo uma questão de espírito. E do meio. O meio em que vivemos nos altera e nos influencia em tudo. E tudo depende de nós para deixar nossos espíritos cada vez mais jovens. Aquela coisa de ver um velhinho sorrir como uma criança. Uma velhinha dançar até cansar. E se ver pensando se está envelhecendo a ponto de não entender a questão do elevador. Não é matemática... e precisa-se de pensar. Pensar daquele jeito oblíquo e dissimulado. Pensar como se estivesse vendo tudo pela primeira vez. Não ter medo de perguntar e confessar que tem medo, que não sabe, que quer aprender. Confessar que perguntar é muito, mas muito mais importante que responder. Aceitar que quem responde está sempre se contentando, sempre se acomodando. E quem pergunta está sempre descobrindo, se desvendando, arriscando, progredindo. Aceitar o medo do desconhecido. E não corar ao assumir algo que não conheça ou que te faça tremer. Não deixar o frio na barriga morrer. Não exigir demais, não se contentar com pouco. Não esitar ao dizer que não sabe. Não evitar algo por medo do perigo. Evitar uma vez na vida se arriscar por emoção. Ter medo de sentir o coração vibrar.
Não deixe sua criança morrer. É sempre tempo...
Eu gosto. Ainda me delicio ao rolar na grama, subir em árvore, me lambuzar de manga. Me satisfaço ao pular na água, ao sentir frio e calor, ao pegar gripe depois de me molhar na chuva, ao assistir filme de terror e ter medo do escuro. Sorrio por nada ao fitar o céu, não ter medo do tempo por um segundo (mesmo que depois tenha medo do tempo que passou), deitar no escuro e imaginar que tudo pode melhorar, esquecer que está tudo mudando. Não pensar e só sentir. Sentir como se estivesse vendo tudo pela primeira vez. Deixar de ser criança... e perceber que essa nunca morrerá.
Não deixá-la morrer. E cuidar dela... com a maturidade de que aprende, e se torna um pouquinho mais adulto e mais criança a cada minuto passado...
"Dêem-me de beber, que não tenho sede!"
"Fui, como ervas, e não me arrancaram."
"Já disse: sou lúcido.
Nada de estéticas com o coração: sou lúcido.
Merda! Sou lúcido."
;*
~[ Início ]~
["Nossa compreensão do universo ainda é muito pequena para julgarmos o que quer que seja na nossa vida."]
["O destino ama os rebeldes."]
"Será que existe um sentimento natural de pudor?"
"O verdadeiro conhecimento vem de dentro".
E continuo andando.
Fazendo...
A vida em palavras!
A minha vida em palavras!
A vida em palavras minhas!
Fim.
(...
