sábado, 25 de outubro de 2008

~[ O olhar... ]~ Jorge Luis Borges.

(escrito em 02/12/07)

Tenho aprendido muitas coisas nos últimos dias. Tenho encontrado minha organização temporal, e automaticamente me encontrado um pouco mais comigo mesma. Não que agora eu saiba muito... nunca... mas que eu ando mais alegre por descobrir tantas coisas antes ignoradas no meu particular mundo, eu ando. Ter tantas idéias, e filosofias... e encontrar um tempo para pensar em tudo o que movimenta o meu já movimento interior me deixa demasiadamente um pouco mais completa, ou menos incompleta.

Primeiramente, tive uma aula de teatro e vida com o mestre Sotigui Kouayté... Grande griot africano. Me falou tantas coisas... me deu tanto brilho nos olhos... que nem sei se sei passar isso para a escrita. Confirmou comigo que fingimos nos preocupar com os outros, mas se nos preocupássemos mesmo, o mundo não estaria como está, nem seria como é. Me disse que um dos nossos problemas na relação com o outro é que pensamos demais, pensamos pelo nosso corpo, não deixamos que o nosso corpo fale por si só. Estamos sempre pensando em como o outro vai reagir, o que vai sentir. (Como meu querido Alberto Caeiro também confirma, em outro contexto: "Pensar é estar doente dos olhos")

E eu tenho pensado muito, e visto muito. Encontrando várias formas de descobrir todos os espaços e as vertentes diversas que o mundo tem para me oferecer.

Hoje me encontrei com esse simpático senhor da foto, Jorge Luis Borges. Poeta argentino, conhecido e respeitado no mundo inteiro. Este me diz muitas outras coisas mais. E me faz pensar em tantas outras. Para começar, me explica que o cego não vê tudo preto, mas sim tudo branco. Com sua cegueira genética, ele diz que se vê sempre rodeado de uma neblina de luz. O que me faz novamente pensar em como pensamos bobagens, em como damos valor às coisas bobas. Comenta do amor, da guerra e da morte.

E diz ainda, nas minhas palavras (porque as dele eu não tenho para confirmar), que o homem que se sente com sucesso e com fracasso está equivocado, já que o sucesso e o fracasso são impostores.

E eu concordo plenamente. Concordo que, primeiramente, ambos são relativos. E dependem da nossa ordem de origem para percebemos que, não há sucesso nem fracasso absoluto, uma vez que o mundo gira e gira e gira e gira, e tudo muda o tempo todo. O que pensa ter sucesso não sabe que pode ter muito menos do que imagina, conquanto que o que pensa ter fracasso, não imagina que tem muito mais do que um mais fracassado que ele. Não sei se me fiz entender.

E penso também que fracasso e sucesso andam juntos. São as faces de uma mesma moeda.

E essa questão da cegueira me fez pensar muito. Borges é cego e tem um alto astral, uma ironia que me fazem pensar melhor antes de reclamar de uma dor de cabeça. Ou de reclamar de qualquer coisa que seja. De reclamar.

E me fazem pensar na questão do olhar, que eu tanto penso. Já que tanto olho... e amo olhar... e olhares... e olhos.

("O olho, órgão da percepção visual, é, de modo natural e quase universal, o símbolo da percepção intelectual".)

Pensei em tantas coisas, e chego aqui as esquecendo. Essas coisas me impulsionam em uma leve nuvem de pensamento, me fazendo refletir sobre tudo e todos o tempo todo. Questionando tudo. Sempre.

Acordei e dei de cara com o jornal. Novo acordo que visa substituir Kyoto será discutido. Resolvi ler. E logo me bateu aquela raiva. É sempre a mesma coisa. Se há metas, tem sempre uns E.U.A. para negar, e sempre uns que não vão fazer porque os E.U.A. não vão. E eu acho tudo um poço... de ridículo. Ninguém se preocupa com questões ambientais até ver o mundo pegando fogo. Quando não tem mais jeito, temos ainda que aguentar essas discussões babacas e infantis de "Se ele não vai, eu não vou". Sinceramente, eu usava essa frase nos meus primórdios escolares. E pensei nunca mais ouvir. Bobeira minha. Enfim, o planeta já gritou, chorou, só está faltando espernear para que paremos de discussões como essa e começemos a agir logo. No sentido de que, na minha opinião, os países devem fazer o máximo que puderem, como puderem, o quão antes puderem. Tomando a iniciativa. O Brasil mesmo não quer aceitar as normas. Eu não vou comparar o Brasil comigo, mas quando eu coloco um objetivo na minha vida, o processo vai mais rápido. Falando em larga escala, acho que essa de fazer mini-políticas de tentativa para TENTAR parar com o desmatamente não dá. NÃO DÁ. Essa é demais. Se colocarmos uma meta de redução do desmatamento, é capaz de termos a possibilidade de mudar algo. Já que temos a maior concentração de biodiversidade, temos a maior concentração de áreas verdes... o mundo está nos expulsando, e a gente dizendo que vai tentar. Não. Vamos fazer. Precisamos disso. Se os E.U.A. não querem fazer... Nós vamos. O mundo deve. Não é mais questão política... é urgência. Sem ataques infantis. Quem quer fazer, faz. (ou pelo menos tenta... lutando)

Vamos esperar essa reunião. São 15 mil pessoas de 190 países indo discutir a causa. Vamos ver. Todos deviam ser obrigados a mudar o máximo e lutar ao máximo para tentar resolver o problema. Agora, no desespero, querem em cinco anos, mudar o que está sendo feito desde a Revolução Industrial. É rir pra não chorar.

Hoje o dia foi intenso de causas que precisam de tempo para serem processadas.

Até dei de cara com um engenheiro que virou artista plástico... mais esperança.

É... são assuntos muito densos para serem discutidos assim. Cada um precisaria de uma página, no mínimo.

Hoje também, me encontrei com "O povo brasileiro", vendo os índios, os rituais, nossos antepassados, já que quase todos estão extintos. Matamos a nossa parte mais íntima e bela. E todos se emocionam quando vêêm a beleza da natureza... mas não fazem nada para preservar, e não se importam em destruir. É um absurdo. Eu não me conformo. Dizem que cada um vem ao mundo para cumprir a sua missão. Eu acho que essa é a minha. Viver da arte, em todas as suas vertentes, e lutar pela preservação e reconhecimento das matas, das espécies e do homem. Viver para tentar criar o equilíbrio. É... é isso. É o que quero.

Sem mais no momento, já que as palavras se esvoaram inteiras da minha mente. Preciso mastigá-las melhor, condensá-las melhor, para discutir tantas coisas que andam pulsamento sem sossego na minha cabeça.

No ritmo do meu coração...

Para terminar... gostaria de dizer que na minha opinião o mundo inteiro é um só. Todos os países tem seus ligantes. Todos têm cultura, língua, nacionalidade. Todos têm seus problemas políticos, públicos, sociais e ambientais. Todos são iguais, divididos apenas pela diversidade e singularidade de cada um. O corpo, o esqueleto, a base é a mesma, só muda os acessórios, as tintas.

(Como eu amo lembrar: "O interno não aguenta tinta")

Cada animal é de uma forma e de uma cor. Mas são animais, e vivem do mesmo modo. No mesmo círculo.

Não sei, novamente, se me fiz entender... De qualquer forma...



Obs: Mas sei que no meu ritmo eu chego lá, os tambores da vida vão me narrando o caminho que devo tomar, e a dança que devo estremecer...



(O silêncio andou cantando a música certa.)

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