A vida é como um fruto, pensei certa manhã.
Guarda em seu seio uma renovação... semente de novo ser, embrião.
Se alimenta da seiva, do Sol, da Terra.
Com o tempo, cresce e amadurece.
E, quando já amadurecida, ou encontra alguém para apanhá-la com suas mãos e saboreá-la em um par uníssono, ou cai na Terra... e se desfaz em suas entranhas, voltando ao seu início, à sua fonte.
sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010
sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010
Era uma vez...
Uma menina que vivia em uma cabana.
Era nova, mas por dentro, conseguia sentir a vida toda que fora e que não fora.
Gostava de tira em sandálias e saias de chita. Coisas rodadas que costumavam brincar com o vento.
De balanço, de ervas e de chuva.
Gostava de tinta e pintava durante a noite. À noite, o silêncio era seu baú. Tinha com ela o hábito de se descrever, cercada de escuro e estrelas, em cores e traços.
Certo dia, o pincel escapou, e, com algumas cores, riscou seu rosto.
Era tinta que não conhecia, e não saiu com nada.
Tentou de tudo... foi ao médico... e nada. Não saiu.
A tinta aderiu aos seus poros como calor úmido e ficou ali, aninhada, presa como se pertencesse mais ao sangue que ao quadro.
Passando o tempo... as pessoas não a viam como uma menina normal.
Era o rabisco, a pintada, a estranha.
Três riscos no rosto e não pertencia ao mundo mais.
Ela, a alma, presa ao corpo, via a reação das pessoas como se visse em tela de televisão.
Via tudo e todo como o susto.
A tinta, por si só, não saía.
Mas, por dentro, ela sonhava.
Sonhava em encontrar alguém que a aceitasse como era.
Que a visse como obra de arte e não rascunho. Que pudesse ver dentro dela... o seu íntimo, a sua alma.
A alma, que por quem queria que visse, seria vista pelos olhos, não pela pele.
Os olhos, a janela, não escondiam nada.
Um dia... encontrou um menino na rua com três cortes no rosto.
Sentou-se ao lado dele... e, quando ele a fitou, não fez a cara a qual ela estava acostumada a se deparar. Não se espantou. Apenas a fitou. Nos olhos.
E ela, respondeu.
Comentou: Você não se espantou.
Ele: _Nem você comigo. É porque, os seus olhos me trouxeram algo além. Os seus olhos, sim, disseram algo para mim. Sua pele, mesmo pintada, para mim é arte. E isso, mostra algo que vem da sua alma, algo que faz parte de você. Portanto, é mais colorida que a própria paisagem, por dentro e agora por fora.
E ela, aos suspiros, respondeu: _Suas cicatrizes mostram algo que está em sua memória, que você viveu e superou. É força.
E ela, sutilmente, tocou na mão do menino... e sentiu não só arrepio, como a força que nele era tão visível.
E ele... respondendo ao gesto... entrelaçou seus dedos nos dela... e sentiu nela tudo o que faltava a ele até então: A vida colorida, como sempre deveria ser.
E ela, sentindo sua alma pulsando em cor... viu que a vida poderia exalar mais cores que sua pele... e que, podendo ser mais colorida que todos, vivia a vida com tanta intensidade, que nem o pincel poderia descrever,
E foi assim, que o encontro entre os traços coloridos e as cicatrizes, unindo a força da memória à toda a vida que a alma pode ter... que os dois descobriram o que já era possível de se sentir: que a vida não está no que se vê de longe... mas no que se vê de perto, pela janela que dá para a alma.
(Obrigada, pelo momento no qual você foi TODO especial.)
Uma menina que vivia em uma cabana.
Era nova, mas por dentro, conseguia sentir a vida toda que fora e que não fora.
Gostava de tira em sandálias e saias de chita. Coisas rodadas que costumavam brincar com o vento.
De balanço, de ervas e de chuva.
Gostava de tinta e pintava durante a noite. À noite, o silêncio era seu baú. Tinha com ela o hábito de se descrever, cercada de escuro e estrelas, em cores e traços.
Certo dia, o pincel escapou, e, com algumas cores, riscou seu rosto.
Era tinta que não conhecia, e não saiu com nada.
Tentou de tudo... foi ao médico... e nada. Não saiu.
A tinta aderiu aos seus poros como calor úmido e ficou ali, aninhada, presa como se pertencesse mais ao sangue que ao quadro.
Passando o tempo... as pessoas não a viam como uma menina normal.
Era o rabisco, a pintada, a estranha.
Três riscos no rosto e não pertencia ao mundo mais.
Ela, a alma, presa ao corpo, via a reação das pessoas como se visse em tela de televisão.
Via tudo e todo como o susto.
A tinta, por si só, não saía.
Mas, por dentro, ela sonhava.
Sonhava em encontrar alguém que a aceitasse como era.
Que a visse como obra de arte e não rascunho. Que pudesse ver dentro dela... o seu íntimo, a sua alma.
A alma, que por quem queria que visse, seria vista pelos olhos, não pela pele.
Os olhos, a janela, não escondiam nada.
Um dia... encontrou um menino na rua com três cortes no rosto.
Sentou-se ao lado dele... e, quando ele a fitou, não fez a cara a qual ela estava acostumada a se deparar. Não se espantou. Apenas a fitou. Nos olhos.
E ela, respondeu.
Comentou: Você não se espantou.
Ele: _Nem você comigo. É porque, os seus olhos me trouxeram algo além. Os seus olhos, sim, disseram algo para mim. Sua pele, mesmo pintada, para mim é arte. E isso, mostra algo que vem da sua alma, algo que faz parte de você. Portanto, é mais colorida que a própria paisagem, por dentro e agora por fora.
E ela, aos suspiros, respondeu: _Suas cicatrizes mostram algo que está em sua memória, que você viveu e superou. É força.
E ela, sutilmente, tocou na mão do menino... e sentiu não só arrepio, como a força que nele era tão visível.
E ele... respondendo ao gesto... entrelaçou seus dedos nos dela... e sentiu nela tudo o que faltava a ele até então: A vida colorida, como sempre deveria ser.
E ela, sentindo sua alma pulsando em cor... viu que a vida poderia exalar mais cores que sua pele... e que, podendo ser mais colorida que todos, vivia a vida com tanta intensidade, que nem o pincel poderia descrever,
E foi assim, que o encontro entre os traços coloridos e as cicatrizes, unindo a força da memória à toda a vida que a alma pode ter... que os dois descobriram o que já era possível de se sentir: que a vida não está no que se vê de longe... mas no que se vê de perto, pela janela que dá para a alma.
(Obrigada, pelo momento no qual você foi TODO especial.)
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