quinta-feira, 30 de agosto de 2012
O forró pé-de-serra tem a sua beleza por expor sua raiz, levantar o cheiro de terra seca pelo arrastar das sandálias. Tem o poder de levar para onde quer que vá a força do Nordeste e do Brasil. Quando fala da seca, é seco, sente-se na pele a secura. Quando mandacaru floresce, floresce também em nossos corações, sente-se o gosto do pingo molhado. Sentimos em nós, em cada poro, a força do povo batalhador, que vê na luta com a natureza também o amor essencial, em um respeito eterno, tanto na seca doída quanto na chuva desoladora. O que não distingui um forró do outro, é exatamente essa força, essa essência. Quando um trio raiz sente por um amor, é de chorar. Como dizemos, machuca doído! Não é algo superficial, é tudo profundo. Desde uma dor, uma alegria pela chuva, até a ponta da raiz, alcançando o profundo não conseguimos enxergar... só sentir. Eis a diferença brutal, para mim. Vale a união para não deixar isso nunca morrer... Mas tenho preferência por não deixar morrer o que para mim representa mesmo vida. Vida!
Quando a sanfona canta, lamenta, sonha... Sai dela também meu coração.
Morrer de fazer amor: E acordar devagar com o Sol entrando de mansinho pela fresta esquecida da porta...
Viver de amor: E deixar nascer a noite por dentro tanto quanto por fora. Acender a luz devagarinho e deixar o Sol poente iluminar a casa com aquela cor de festa na floresta, com aquele cheiro de magia guardada no baú...
Deixar a lua sorrir prudente e esperta chamando a poesia para a rua.
E sair. Leve, solta e rodada.
Entregue, nova e velha.
Madura, fruta colorida agarrada ao galho verde descamando. Sair.
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