sábado, 25 de outubro de 2008

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(afirmado em 14/02/08)

Não quero nem posso querer nada mais, nem me lamentar. O lamento é falta de gratidão. Tudo o que temos, foi porque fizemos. Tenho de chocar-me, tenho de arranhar-me a alma. Tenho de acordar para o resto do mundo.

Nem sempre recebemos o que queremos. Nem por isso deixamos de fazer. Eis o erro. Devo estabelecer um limite para ir somente até onde a alma suporta. Até onde o coração aguenta.

E o maior encontro do mundo é aquele quando nos encontramos nós mesmos. Sozinhos. É como se a arte e Deus se unissem para me dizer o quão errada ando sendo. Onde ando errando. O que posso fazer para não ter do que reclamar. E não tenho. Apenas de ter perdido um pouco o gosto. Um pouco o paladar.

E o que seria se não fosse? Eu mesma. Do mesmo jeito. Uma metamorfose ambulante, que ambula mesmo pelos mundos, e que erra, e muitas vezes, repete o erro só para certificar.

Uma garota que se promete coisas e cai na fraqueza de não poder se surpreender e erra de novo. Uma menina que voa alto, que não deseja o que é igual, que deseja ter a felicidade nas mãos pelo resto da vida. E que se desmaterializa diante de uma frustração. Uma alma em profundo aprendizado e crescimento, que se depara com algo não recíproco e fica sem saber agir. Que dá um basta durante um segundo, e depois esquece do que precisa. Que não se satisfaz com o pouco, o provável, a rotina e o esperado. Uma romântica última. Uma pierrot apaixonada que vivia cantando e não quer acabar chorando. Alguém que se desespera pelo medo, que tem medo do ciúme, que precisa de segurança e de repetições. Que faz questão de avaliar cada centímetro, e não entende suas próprias reações. Alguém que não se prende, não consegue se segurar, que solta pelo rosto a expressão do sentido, que não disfarça e que quer gritar como um tico-tico quando quer comer. Alguém que grita, que pede, e não é ouvida. Alguém que é ouvida por aqueles que não entendem, ou por aqueles que não precisam ouvir. Aqueles que não precisam de mais problemas.

Alguém que não tem onde se segurar, e quase sempre cai. Uma pequena que pensa que é grande só para sentir como seria se fosse. Uma grande que pensa que é pequena só para matar a saudade.

Uma pequena que imagina e sonha. E não quer acordar nunca. Uma grande que imagina e sonha, e não queria ter acordado nunca.

Uma pessoa que acredita, que idealiza, que sonha, mesmo tendo seus heróis mortos por overdose. Uma jovem que deseja, aspira, e respira através do ritmo do mundo, isto é, sempre ofegante.

Uma adolescente que sente medo. Que se sente covarde muitas vezes. Que sente muitas vezes que quer uma coisa que não tem.

Que umas vezes odeia sentir o que não sabe, e não conhece, outras vezes adora sentir o novo.

Mas que agradece, que é feliz, e que se sente completa.

Até porque como disse outro dia... o completo só se completa no vazio.

Isso quer dizer, que metade do meu copo vive com sede.

Vive com sede.

E por isso, muitas vezes, chora sangue.

Chora sangue.

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